A expectativa para a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) desta quarta-feira (5) é de continuidade do ciclo de flexibilização dos juros, segundo análise de Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos.
Para o especialista, o Banco Central deve reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, apoiado pela melhora dos indicadores recentes de inflação, pela desaceleração da atividade econômica e pela reversão parcial da alta nas expectativas para o IPCA.
“A minha expectativa é de mais um corte de 25 pontos-base, sustentado principalmente pela melhora nas leituras mensais do IPCA, pela moderação do ritmo de atividade econômica e pela reversão ainda que parcial do movimento de alta das expectativas para o IPCA”, afirmou.
Fed e Copom
Segundo Perri, a decisão do Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, não deve influenciar diretamente a decisão do Copom. Para ele, o comunicado do Fed trouxe uma postura mais dura, com preocupação em relação à inflação e indicação de que os juros americanos podem voltar a subir nos próximos meses.
Embora tenha considerado o tom do Fed mais conservador, o economista avalia que o resultado permaneceu dentro das expectativas do mercado. Dessa forma, o Banco Central brasileiro deve manter uma postura cautelosa na condução da política monetária.
Inflação e atividade econômica abrem espaço para corte
Na avaliação de Perri, a dinâmica recente da inflação permite uma redução da Selic nesta reunião.
O economista destaca principalmente a melhora dos núcleos de inflação, o comportamento dos preços de serviços, a moderação da atividade econômica e uma acomodação do mercado de trabalho.
Além disso, ele ressalta que, mesmo com uma eventual redução, a taxa de juros continuará em um nível restritivo.
“Com a Selic em 14% ao ano, seguiremos em patamar de juros bastante contracionista e com juros reais bastante elevados, dentre os maiores do mundo”, disse.
Ciclo de cortes pode ter pausa nos próximos meses
Apesar da expectativa de redução nesta reunião, Bruno Perri acredita que o Banco Central pode interromper o ciclo de cortes posteriormente.
Segundo ele, uma nova alta nos preços do petróleo e as incertezas relacionadas à retomada do conflito no Irã podem aumentar os riscos para a inflação.
Além disso, o economista avalia que, apesar da melhora recente, a inflação corrente e as expectativas ainda permanecem acima do centro da meta perseguida pelo Banco Central.
“Embora melhores do que há 40 dias, tanto a inflação corrente quanto as expectativas inflacionárias seguem incompatíveis com o centro da meta do BCB, o que enseja cautela da autoridade monetária”, afirmou.
Investimentos pós-fixados seguem atrativos
Diante desse cenário, Perri avalia que investimentos pós-fixados continuam interessantes para os investidores.
Ele cita alternativas como Tesouro, CDBs e crédito privado, mas destaca que este último exige uma seleção mais criteriosa dos ativos.
Além disso, o economista aponta que ETFs de renda fixa podem ser uma opção por oferecerem liquidez e possibilidade de reposicionamento da carteira.
Já os títulos prefixados com prazo de três a quatro anos e os investimentos indexados à inflação continuam apresentando prêmios considerados atrativos, especialmente para investidores com horizonte mais longo.






