Funcionários da Microsoft informaram a desenvolvedores e parceiros que a empresa está suspendendo novos acordos para remoção de dióxido de carbono (CO₂), segundo reportagem da Bloomberg News publicada recentemente.
De acordo com a apuração, colaboradores da gigante de tecnologia entraram em contato com empresas do setor para comunicar que as compras de créditos de remoção de carbono, consideradas as maiores do mundo, estão sendo colocadas em pausa. A decisão teria sido motivada, ao menos em parte, por fatores financeiros, segundo fontes ouvidas sob condição de anonimato.
A medida representa uma mudança relevante na estratégia ambiental da empresa, que vinha liderando o financiamento de tecnologias voltadas à retirada de carbono da atmosfera. Nos últimos anos, a Microsoft foi responsável por uma parcela dominante desse mercado, chegando a representar entre cerca de 79% e 90% das compras globais de remoção de carbono.
Apesar da suspensão, a companhia afirmou que continua avaliando seu portfólio climático e as condições de mercado, destacando que a pausa não significa necessariamente um abandono definitivo das iniciativas. A empresa mantém metas ambiciosas, como se tornar “carbono negativo” até 2030, ou seja, remover mais emissões do que gera.
Especialistas apontam que a decisão pode ter forte impacto no setor. O mercado de remoção de carbono ainda é considerado emergente e depende fortemente de grandes compradores corporativos para viabilizar projetos e atrair investimentos. Com a retração da Microsoft, cresce a incerteza sobre o ritmo de expansão dessas tecnologias e sobre quem poderá suprir a demanda deixada pela empresa.
Outro fator que pressiona a estratégia climática da companhia é o aumento recente de suas próprias emissões, impulsionado principalmente pela expansão de data centers e tecnologias de inteligência artificial, que exigem alto consumo de energia.
A suspensão dos acordos ocorre sem prazo definido para retomada, o que levanta dúvidas sobre o futuro do mercado de créditos de carbono e sobre a capacidade das empresas de cumprir metas ambientais ambiciosas em meio a desafios econômicos e tecnológicos.






