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O INSS assegurará o seu futuro? Do mais rico ao mais pobre, brasileiros confiam plenamente na Previdência Social

Carla Santiago por Carla Santiago
24 de abril de 2026
em Meu Dinheiro
O INSS assegurará o seu futuro? Do mais rico ao mais pobre, brasileiros confiam plenamente na Previdência Social

Reprodução

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Aposentar. Para muitos brasileiros essa é uma realidade distante, quase abstrata. Longe ao ponto de não se pensar nela — quem dirá se preparar financeiramente para esse futuro.

Segundo o Raio X do Investidor Brasileiro 2026, levantamento anual feito pela Anbima em parceria com o Datafolha, a maior parte da população (84%) chega à vida adulta sem nenhum plano concreto de renda para o futuro — e, em muitos casos, sem sequer saber como pretende se sustentar quando parar de trabalhar.

  • Um em cada dez brasileiros afirma não saber de onde virá o dinheiro na aposentadoria.
  • Três em cada dez dizem não ter começado uma reserva para a aposentadoria e nem pretendem começar.

“A distância temporal reduz a sensação de urgência e faz com que as pessoas priorizem decisões financeiras de curto prazo, mesmo entre quem tem consciência da importância de estar preparado para a velhice”, diz o relatório da Anbima.

A questão é que não falta apenas a ação — as respostas mostram ausência de caminho.

O futuro delegado ao INSS

Na ausência de reserva própria, os brasileiros recorrem à previdência pública como principal — e muitas vezes única — estratégia de renda no futuro.

De acordo com o Raio X do Investidor, 60% das pessoas não aposentadas afirmam que pretendem se sustentar com o INSS quando deixarem o mercado de trabalho.

E esse é um número que aumentou nos últimos anos. O piso foi verificado em 2022, quando o INSS era a resposta de 51% dos entrevistados.

Uma parcela que está diminuindo afirma que dependerá do próprio salário (de 18% para 15% em um ano), indicando que não tem intenção de parar de trabalhar.

Um grupo menor (13%) diz que contará com suas aplicações financeiras, enquanto a previdência privada é indicada por apenas 5% dos respondentes.

Problemas no caminho

A aposta quase coletiva no INSS ocorre em um momento delicado para o sistema previdenciário. O Brasil passa por uma crise estrutural da previdência pública, pressionada pelo envelhecimento acelerado da população, pela informalidade no mercado de trabalho e por desequilíbrios fiscais.

Hoje, quase 3 milhões de brasileiros enfrentam filas para conseguir dar entrada ou concluir pedidos de aposentadoria, mesmo após esforços recentes do governo federal para reduzir o tempo de análise.

Há também o problema do valor pago. A maioria dos benefícios do INSS está concentrada no piso previdenciário, de R$ 1.621 em 2026. O teto chega a R$ 8.475,55, mas é bem difícil de se conseguir.

Para a população das classes C, D e E, esses valores (corrigidos pela inflação ao longo do tempo) podem se enquadrar no padrão atual de vida. Pelo levantamento, a renda média da classe C é de R$ 3.565, enquanto a da classe D/E é de R$ 2.144.

Para a classe A/B, no entanto, essa renda média sobe para R$ 9.355, razoavelmente acima do teto do INSS. Ainda assim, 50% da população mais rica afirmou que a Previdência Social será sua fonte de sustento na aposentadoria.

De acordo com a Anbima, esse dado mostra uma discrepância relevante entre expectativa e realidade, principalmente para essa classe social mais abastada.

Atualmente, as rendas já não são compatíveis. Se ao longo dos próximos anos for feita uma reforma previdenciária, como muitos economistas afirmam ser necessário, essa diferença deve aumentar ainda mais, com diminuição do teto ou a ausência de ganho real (acima da inflação).

Expectativas sobre a aposentadoria

A pesquisa da Anbima indica que a maioria da população projeta deixar o mercado de trabalho entre 60 e 69 anos — uma expectativa que já reflete a elevação da idade mínima para se aposentar e a percepção de que trabalhar mais tempo será necessário.

Há uma parcela significativa da população (57%) que ainda não começou sua reserva para a aposentadoria, mas afirmou que pretende começar. Há também um percentual pequeno (16%) que já iniciou sua reserva.

Acontece que, mesmo olhando o copo meio cheio, o resultado aponta um cenário em que o planejamento de longo prazo é frágil.

A Geração Z e os Millennials destoam um pouco do retrato geral. Eles são os mais atentos ao debate sobre previdência pública — ainda que a poupança efetiva continue baixa.

Entre os jovens, a proporção dos que ainda não começaram a formar reserva, mas afirmam que pretendem começar, é a maior entre todas as gerações: 66% da Geração Z e 58% dos Millennials.

Entretanto, a Anbima pondera sobre como essa população ainda não tem uma vida financeira estável. Muitos estão em fase inicial de carreira, enquanto outros estão na universidade.

O grande desafio é mover o discurso do “pretende” para o “começou a guardar”. Até porque, quanto antes iniciar, mais resguardado o futuro estará.

Tags: aposentadoriafinanças

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