O Banco do Brasil (BBAS3) divulgou os resultados do primeiro trimestre de 2026 (1T26) com lucro líquido ajustado de R$ 3,4 bilhões e sinais de pressão maior na qualidade de crédito.
O resultado representa uma queda de 40,2% na comparação com o 4T25. Além disso, o retorno sobre patrimônio líquido (RSPL) caiu para 7,3%, contra 16,7% no 1T25.
Margem financeira dispara e sustenta operação
Apesar do lucro menor, a operação mostrou força. A margem financeira bruta somou R$ 27,4 bilhões no 1T26, alta de 14,8% em relação ao 1T25.
O crescimento foi impulsionado por:
- receitas com operações de crédito, que chegaram a R$ 46,5 bilhões (+10,5%)
- resultado de tesouraria, que subiu para R$ 8,9 bilhões (+23%)
As receitas financeiras totais atingiram R$ 55,3 bilhões, avanço de 12,3% ano contra ano.
Custo de crédito aumenta e inadimplência sobe
O principal ponto de atenção veio do custo do crédito. As despesas com provisões (PCLD) foram de R$ 18,9 bilhões no trimestre.
Ao mesmo tempo, a inadimplência acima de 90 dias subiu para 5,05%, acima dos 3,63% registrados em março de 2025.
Por segmento, o índice ficou em:
- Pessoa Física: 6,82%
- Pessoa Jurídica: 2,87%
- Agronegócio: 6,22%
Carteira de crédito cresce com PF e Agro
A carteira de crédito expandida totalizou R$ 1,3 trilhão, alta de 2,2% na comparação anual.
O avanço foi puxado por Pessoa Física e Agronegócio:
- Pessoa Física: R$ 361,8 bilhões (+7,8%)
- Agronegócio: R$ 418,4 bilhões (+3,0%)
Já Pessoa Jurídica recuou:
- Pessoa Jurídica: R$ 449,0 bilhões (-2,4%)
No crédito consignado, o banco registrou R$ 151,8 bilhões (+7,2%). Outro destaque foi o crédito do trabalhador, que chegou a R$ 15,1 bilhões, com alta de mais de 2.000% em 12 meses.
Serviços crescem e eficiência segue baixa
As receitas com prestação de serviços somaram R$ 8,8 bilhões, alta de 5,5% em relação ao 1T25.
Os destaques foram:
- administração de fundos: R$ 2,7 bilhões (+8,6%)
- seguros, previdência e capitalização: R$ 1,5 bilhão (+3,5%)
- consórcios: R$ 932 milhões (+14,0%)
As despesas administrativas ficaram em R$ 10,0 bilhões. O índice de eficiência em 12 meses foi de 28%.
Capital recua e banco revisa guidance
O índice de Basileia foi de 14,23% em março de 2026. Já o capital principal caiu para 11,59%, ante 12,23% em dezembro de 2025.
Com o cenário de inadimplência e maior custo de crédito, o Banco do Brasil revisou projeções para 2026.
O guidance de margem financeira bruta foi ajustado para cima, enquanto o de lucro líquido ajustado foi revisado para baixo.
A projeção de lucro líquido ajustado passou de R$ 22 bilhões a R$ 26 bilhões para um intervalo de R$ 18 bilhões a R$ 22 bilhões.






