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Carne e café preservados, indústria sob ameaça: quem foi poupado e quem será impactado pela tarifa de 25% dos EUA?

Carla Santiago por Carla Santiago
16 de julho de 2026
em Meu Dinheiro
Carne e café preservados, indústria sob ameaça: quem foi poupado e quem será impactado pela tarifa de 25% dos EUA?

Reprodução

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Os Estados Unidos ampliaram a lista de exceções à tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, que entra em vigor no dia 22 de julho, e deixaram de fora da medida 2.126 itens exportados pelo Brasil.

A relação divulgada pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) inclui alimentos, minérios, combustíveis, medicamentos, aeronaves, componentes eletrônicos e diversas matérias-primas consideradas essenciais para a indústria americana.

A ampliação das isenções ocorreu após consultas públicas realizadas pelo governo de Donald Trump junto a empresas e associações setoriais.

Segundo o USTR, muitos dos produtos excluídos da sobretaxa são difíceis de substituir por fornecedores de outros países ou possuem produção limitada nos EUA, o que poderia provocar aumento de custos, desabastecimento e interrupções em cadeias produtivas estratégicas.

Quais produtos escaparam da tarifa de 25%

Agronegócio e alimentos

  • Carne bovina fresca, refrigerada e congelada;
  • Cortes com e sem osso;
  • Línguas, fígados e outros miúdos bovinos;
  • Carne salgada, seca, defumada e corned beef;
  • Café verde e torrado;
  • Café descafeinado;
  • Café solúvel com e sem sabor;
  • Extratos e concentrados de café;
  • Laranja e suco de laranja;
  • Limão;
  • Lima ácida;
  • Banana;
  • Banana-da-terra;
  • Abacaxi;
  • Abacate;
  • Goiaba;
  • Manga;
  • Mangostão;
  • Mamão;
  • Kiwi;
  • Tamarindo;
  • Durião;
  • Coco;
  • Castanha-do-pará;
  • Castanha de caju;
  • Macadâmia;
  • Pinhão;
  • Noz-de-cola;
  • Noz-de-areca;
  • Açaí;
  • Polpas de frutas;
  • Água de coco e bebidas à base de coco;
  • Mel orgânico certificado;
  • Cacau em grão;
  • Pasta, manteiga e óleo de cacau;
  • Tapioca;
  • Fécula de mandioca;
  • Farinha de banana;
  • Farinha de banana-da-terra;
  • Palmito;
  • Broto de bambu;
  • Chuchu;
  • Cogumelos secos;
  • Jícama;
  • Taro;
  • Taioba;
  • Araruta.

Pescados e frutos do mar

  • Atum;
  • Cavala;
  • Peixe-espada;
  • Tilápia;
  • Diversos peixes frescos e congelados;
  • Filés de pescado;
  • Lagosta espinhosa;
  • Outros crustáceos.

Café, chás e especiarias

  • Chá preto;
  • Erva-mate;
  • Pimenta;
  • Páprica;
  • Baunilha;
  • Canela;
  • Cravo;
  • Noz-moscada;
  • Cardamomo;
  • Coentro;
  • Cominho;
  • Anis;
  • Erva-doce;
  • Gengibre;
  • Cúrcuma;
  • Açafrão;
  • Louro;
  • Curry;
  • Orégano.

Minérios, energia e commodities

  • Minério de ferro;
  • Pelotas de minério de ferro;
  • Manganês;
  • Cobre;
  • Níquel;
  • Cobalto;
  • Alumínio;
  • Zinco;
  • Estanho;
  • Cromo;
  • Titânio;
  • Nióbio;
  • Tântalo;
  • Vanádio;
  • Molibdênio;
  • Tungstênio;
  • Prata;
  • Antimônio;
  • Grafite;
  • Caulim;
  • Fosfato;
  • Barita;
  • Magnesita;
  • Fluorita;
  • Mica;
  • Petróleo bruto;
  • Derivados do petróleo;
  • Gás natural;
  • Energia elétrica;
  • Carvão;
  • Coque.

Produtos químicos, farmacêuticos e fertilizantes

  • Hidróxido de alumínio;
  • Óxido de alumínio;
  • Fertilizantes;
  • Matérias-primas para fertilizantes;
  • Pigmentos industriais;
  • Medicamentos;
  • Vacinas;
  • Produtos biológicos;
  • Insumos farmacêuticos;
  • Ingredientes farmacêuticos ativos.

Madeira, borracha e couro

  • Borracha natural;
  • Couros bovinos;
  • Peles animais;
  • Madeira tropical;
  • Madeira serrada;
  • Madeira laminada;
  • Pisos de madeira;
  • Compensados;
  • Painéis de madeira.

Metais industriais

  • Ferro-gusa;
  • Ferroligas;
  • Ferro reduzido;
  • Sucata de ferro;
  • Sucata de aço;
  • Sucata de cobre;
  • Produtos de magnésio;
  • Titânio;
  • Zircônio;
  • Nióbio;
  • Índio;
  • Ouro;
  • Prata;
  • Platina;
  • Paládio;
  • Ródio.

Tecnologia e indústria

  • Computadores;
  • Notebooks;
  • Servidores;
  • Monitores;
  • Teclados;
  • Equipamentos de armazenamento;
  • Unidades de processamento de dados;
  • Smartphones;
  • Equipamentos de telecomunicações;
  • Roteadores;
  • Sistemas de rede;
  • Módulos de telas planas;
  • Ímãs de neodímio;
  • Máquinas para fabricação de semicondutores;
  • Alguns semicondutores.

Aeronáutica

  • Aeronaves civis;
  • Motores aeronáuticos;
  • Peças e componentes;
  • Simuladores de voo;
  • Subconjuntos para aeronaves.

Outras exceções

  • Obras de arte;
  • Antiguidades;
  • Objetos de coleção;
  • Roupas usadas;
  • Materiais religiosos;
  • Hóstias;
  • Doações humanitárias;
  • Publicações;
  • Filmes;
  • Fotografias;
  • Conteúdos jornalísticos.

Quais produtos continuarão sendo taxados

Apesar da ampla lista de exclusões, o governo americano rejeitou centenas de pedidos apresentados por empresas e entidades setoriais. Entre os segmentos que permanecerão sujeitos à tarifa de 25% estão:

  • Máquinas agrícolas;
  • Máquinas industriais;
  • Equipamentos para manufatura;
  • Ferramentas de jardinagem;
  • Equipamentos elétricos;
  • Parte dos produtos químicos para uso industrial;
  • Vestuário;
  • Calçados;
  • Papel e derivados;
  • Açúcar orgânico;
  • Diversos produtos manufaturados;
  • Bens industriais considerados substituíveis por fornecedores de outros países.

Além disso, a celulose solúvel de alta pureza, inicialmente candidata à isenção, acabou excluída da lista de beneficiados após pressões relacionadas a alegações de desmatamento ilegal. O USTR também restringiu algumas exceções para produtos químicos, permitindo a isenção apenas quando destinados à indústria farmacêutica.

Por que o Brasil está sendo taxado

A tarifa de 25% aplicada pelos EUA ao Brasil foi resultado de uma investigação conduzida pelo USTR com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, instrumento utilizado pelo governo americano para contestar práticas consideradas desleais por parceiros comerciais.

Ao concluir a apuração, Washington apontou uma série de preocupações relacionadas ao ambiente de negócios brasileiro, incluindo o funcionamento do Pix e do sistema de pagamentos digitais, regras de comércio eletrônico, condições de concorrência para empresas de tecnologia e meios de pagamento, tarifas incidentes sobre o etanol importado, proteção à propriedade intelectual, barreiras comerciais e questões ambientais.

No relatório, o USTR também cita o combate ao desmatamento ilegal e a existência de políticas que, na avaliação do governo americano, poderiam favorecer empresas brasileiras em determinados setores da economia. Segundo o órgão, essas medidas colocariam companhias dos Estados Unidos em desvantagem competitiva e dificultariam o acesso ao mercado brasileiro.

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por sua vez, rejeita as conclusões da investigação e considera as tarifas injustificadas. O Palácio do Planalto argumenta que os questionamentos apresentados pelos EUA não refletem a realidade das relações comerciais entre os dois países e retirou o Pix da pauta de negociações, sob o argumento de que o sistema de pagamentos brasileiro não deve ser tratado como tema de disputa comercial.

Linha do tempo do tarifaço

A escalada comercial entre Brasil e Estados Unidos começou em abril de 2025, quando o Trump anunciou tarifas recíprocas para dezenas de parceiros comerciais, incluindo uma alíquota inicial de 10% para produtos brasileiros.

Nos meses seguintes, Washington elevou a pressão sobre alguns setores da economia nacional, chegando a impor uma tarifa adicional de 40% sobre determinados produtos. Parte dessas medidas acabou sendo revista ainda em novembro de 2025, quando o governo americano reduziu ou revogou sobretaxas que incidiam sobre itens agrícolas como carne bovina, café e frutas.

Em 2026, a tensão comercial ganhou um novo capítulo. Em 1º de junho, o USTR concluiu a investigação aberta com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 e propôs uma nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros.

Nos dias 6 e 7 de julho, o USTR realizou audiências públicas para ouvir empresas, associações e representantes de setores afetados, enquanto Brasil e Estados Unidos mantiveram negociações por meio de grupos de trabalho e reuniões.

Tags: brasilEUAtarifas

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