O Ibovespa encerrou o pregão desta quinta-feira (24) em queda, pressionado pelo avanço dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, conhecidos como Treasuries, e pelas preocupações com o cenário fiscal brasileiro. O movimento reduziu o apetite dos investidores por ativos de risco e levou o principal índice da Bolsa brasileira a registrar sua segunda sessão consecutiva de perdas.
Segundo dados preliminares divulgados pela Reuters, o Ibovespa recuou 0,84%, aos 184.254,45 pontos. Durante o pregão, o índice chegou a cair abaixo dos 184 mil pontos, atingindo a mínima de 183.834,97 pontos. Na máxima, alcançou 186.211,43 pontos. O volume financeiro negociado somava R$ 24,35 bilhões antes dos ajustes finais.
Alta dos juros americanos pressiona os mercados
No cenário internacional, a elevação dos rendimentos dos títulos públicos americanos voltou a pesar sobre as bolsas globais. O rendimento do Treasury de dez anos chegou a 5,135% durante a tarde, acima dos 5,114% registrados na sessão anterior.
O movimento reflete a preocupação dos investidores com a persistência da inflação nos Estados Unidos e a possibilidade de novos aumentos dos juros pelo Federal Reserve (Fed), o banco central americano.
Quando os títulos do governo dos Estados Unidos oferecem remunerações mais elevadas, ativos considerados arriscados, como ações de mercados emergentes, podem perder atratividade. Esse movimento também tende a fortalecer o dólar e aumentar os custos de financiamento em diferentes economias.
A valorização do petróleo acrescentou pressão ao cenário externo. Durante o pregão, o barril do Brent chegou a subir 4,82%, sendo negociado a US$ 108,05, diante da ausência de avanços concretos nas negociações diplomáticas entre Estados Unidos e Irã.
A alta da commodity intensificou as preocupações com a inflação mundial, uma vez que o encarecimento da energia pode elevar os custos de transporte e produção e dificultar a redução dos juros nas principais economias.
Preocupações fiscais também pesam sobre a Bolsa
No Brasil, os investidores acompanharam a divulgação do Relatório de Política Monetária do Banco Central e do relatório bimestral de receitas e despesas do governo federal. Os documentos mantiveram em evidência as perspectivas para a inflação, a trajetória dos juros e as condições das contas públicas.
A combinação entre as incertezas fiscais domésticas e os juros elevados no exterior contribuiu para a cautela dos investidores. No mercado de câmbio, o dólar à vista avançou 0,49%, encerrando o dia cotado a R$ 5,1937.
Bancos, Vale e Petrobras encerram em queda
Entre as ações de maior peso no Ibovespa, o setor bancário exerceu pressão sobre o índice. O Banco do Brasil recuou 2,84%, enquanto o BTG Pactual perdeu 1,49%, o Bradesco caiu 1,39% e o Itaú Unibanco registrou baixa de 1,18%. O Santander foi a exceção entre os grandes bancos, com valorização de 0,51%.
A Vale também contribuiu para o resultado negativo, com queda de 1,15%, em uma sessão de estabilidade nos preços do minério de ferro.
Mesmo diante da valorização expressiva do petróleo no mercado internacional, as ações da Petrobras terminaram no campo negativo. Os papéis ordinários recuaram 0,86%, enquanto os preferenciais perderam 0,69%.
Entre as maiores quedas do pregão, a Natura caiu 5,88%, seguida pela RD Saúde, que perdeu 5,38%, e pela Cogna, com baixa de 5,22%. A RD Saúde foi pressionada pelo anúncio de expansão das operações do Mercado Livre no varejo farmacêutico brasileiro.
Na direção contrária, a Yduqs avançou 2,95%, enquanto o Magazine Luiza subiu aproximadamente 2,9% e a construtora Tenda ganhou 2,23%.
Mercado aguarda novos dados de inflação
Os investidores agora direcionam a atenção para a divulgação do IPCA-15 de setembro, prevista para sexta-feira (25). O indicador deverá fornecer novas informações sobre a trajetória da inflação brasileira e poderá influenciar as expectativas para as próximas decisões do Comitê de Política Monetária (Copom).
No exterior, o comportamento dos Treasuries, os preços do petróleo e os próximos indicadores econômicos americanos continuarão no centro das atenções.






