O mercado brasileiro de criptomoedas avança em sua adaptação às novas regras do Banco Central, enquanto as corretoras continuam investindo na contratação de profissionais. Até esta última sexta-feira (25), apenas seis empresas apareciam na base pública de pedidos de autorização para atuar como sociedades prestadoras de serviços de ativos virtuais (SPSAVs).
O número chama a atenção diante da quantidade de plataformas que oferecem serviços relacionados a criptomoedas no país. Entretanto, a presença na lista não significa que as empresas já tenham recebido autorização definitiva para operar, assim como a ausência de uma corretora não comprova que ela esteja irregular.
A atualização mais recente identificada pelo portal Bitnotícias aponta a inclusão da Mazzera Sociedade Prestadora de Serviços de Ativos Virtuais, que passou a constar nos registros do regulador sob o processo nº 315286. Com isso, o número de pedidos classificados na categoria SPSAV aumentou de cinco para seis.
Regulamentação exige adaptação das corretoras
As novas regras representam uma mudança importante para o setor de ativos digitais no Brasil. As empresas abrangidas pela regulamentação precisam atender a exigências relacionadas à estrutura societária, à governança corporativa, ao gerenciamento de riscos e à prevenção à lavagem de dinheiro.
O processo de autorização também envolve a apresentação de documentos e informações que permitam ao Banco Central avaliar a capacidade operacional e financeira das instituições.
As corretoras que já atuavam no país receberam um período de transição para se adequar às novas exigências e apresentar seus pedidos. O prazo estabelecido para o protocolo se encerra em 30 de outubro de 2026.
A quantidade limitada de processos visíveis na base pública, portanto, ainda não permite determinar quantas empresas permanecerão no mercado brasileiro após o encerramento do período de transição.
Apesar das incertezas regulatórias, empresas do setor de criptomoedas mantêm processos seletivos no Brasil. As oportunidades abrangem áreas comerciais, tecnologia, operações, marketing e funções diretamente relacionadas ao cumprimento das novas regras.
Um levantamento publicado no início de setembro pelo TechCripto identificou vagas em companhias como Kraken, Circle, BingX, MEXC e BlockBR. Entre as posições anunciadas estão profissionais de desenvolvimento de negócios, especialistas em prevenção à lavagem de dinheiro e responsáveis por procedimentos de identificação de clientes, conhecidos como KYC.
A Circle, por exemplo, anunciou uma oportunidade para um diretor de conformidade regulatória no Brasil. Já a Binance mantém anúncios de vagas relacionados a operações de pagamentos, análise de riscos e desenvolvimento comercial.
A continuidade das contratações mostra que parte das empresas segue investindo na estruturação de suas operações brasileiras, mesmo diante das exigências de capital e dos custos associados à regulamentação.
Novas exigências provocam saída de empresas
Ao mesmo tempo que algumas plataformas ampliam suas equipes, outras decidiram encerrar ou reduzir suas atividades no Brasil.
Empresas como NovaDAX, Digitra e Coinext anunciaram o encerramento de operações de varejo ao longo de 2026. A corretora argentina Lemon também comunicou, em setembro, a decisão de deixar o mercado brasileiro, citando o volume de capital necessário para obter a licença.
O contraste entre as saídas e as novas contratações evidencia a reorganização do setor. Enquanto algumas companhias avaliam que os custos regulatórios inviabilizam suas operações, outras procuram ampliar suas estruturas para atender às exigências do Banco Central.
Prazo de outubro deve acelerar pedidos
Com o encerramento do período de transição previsto para 30 de outubro, a expectativa é de que o número de solicitações de autorização aumente nas próximas semanas.
Segundo informações divulgadas pelo Portal do Bitcoin, a Associação Brasileira de Tokenização e Blockchain (ABToken) afirmou que mais de 30 empresas associadas pretendem apresentar pedidos ao regulador antes do prazo final.
A evolução desses processos deverá ajudar a definir quais plataformas continuarão atuando no país sob a supervisão direta do Banco Central. Para os investidores, a recomendação é acompanhar a situação regulatória das corretoras e distinguir empresas que apenas solicitaram autorização daquelas que efetivamente receberam licença para funcionar.






