O Ibovespa encerrou o pregão na última sexta-feira (25) em queda de 0,27%, aos 183.476,86 pontos, pressionado principalmente pelo desempenho negativo das ações da Petrobras. O recuo dos preços internacionais do petróleo, a inflação brasileira acima das expectativas e as incertezas no cenário externo influenciaram as negociações na Bolsa brasileira.
Foi a terceira sessão consecutiva de perdas do principal índice da B3, que acumulou desvalorização de 0,95% na semana, registrando sua segunda queda semanal seguida. Durante o pregão, o Ibovespa chegou à mínima de 182.151,01 pontos e atingiu a máxima de 184.214,48 pontos. O volume financeiro negociado somou aproximadamente R$ 24 bilhões.
Petrobras acompanha queda do petróleo
As ações da Petrobras exerceram a principal pressão negativa sobre o índice, acompanhando a desvalorização do petróleo no mercado internacional. Os papéis preferenciais da estatal (PETR4) recuaram 2,58%, encerrando o dia a R$ 47,99, enquanto as ações ordinárias (PETR3) registraram baixa de 2%.
O movimento ocorreu após o petróleo Brent encerrar a sessão cotado a US$ 104,32 por barril, com queda de 2,1%. A desvalorização da commodity foi influenciada pelas expectativas de avanços nas negociações diplomáticas entre Estados Unidos e Irã, que poderiam reduzir os riscos de interrupção do fornecimento global.
Outras empresas ligadas ao setor também apresentaram perdas. As ações da Ultrapar caíram 5,77%, enquanto a Vibra Energia recuou 4,96% e a PRIO registrou baixa de 2,24%.
Inflação acima das expectativas aumenta cautela
No cenário doméstico, os investidores repercutiram a divulgação do IPCA-15 de setembro, considerado uma prévia da inflação oficial brasileira. O indicador registrou alta de 0,70%, após apresentar deflação de 0,40% em agosto.
O resultado, acima das expectativas do mercado, reforçou as preocupações com a trajetória dos preços e seus possíveis efeitos sobre a política monetária brasileira.
A inflação mais elevada pode dificultar a continuidade dos cortes na taxa Selic, uma vez que o Banco Central precisa avaliar se o ritmo de redução dos juros é compatível com a convergência da inflação para a meta.
Além dos indicadores econômicos, os investidores acompanharam a pesquisa eleitoral Datafolha divulgada na quinta-feira (24). O levantamento apontou 40% das intenções de voto para Luiz Inácio Lula da Silva e 36% para Flávio Bolsonaro no cenário de primeiro turno. Em uma simulação de segundo turno, os percentuais foram de 47% e 45%, respectivamente, dentro da margem de erro da pesquisa.
Cenário externo limita perdas da Bolsa
Apesar da pressão exercida pelas ações da Petrobras, a melhora do ambiente internacional ajudou o Ibovespa a se recuperar parcialmente das mínimas registradas durante o pregão.
Os rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, conhecidos como Treasuries, apresentaram acomodação ao longo da sessão. O rendimento do título americano de dez anos, que chegou a atingir 5,2297%, recuou para aproximadamente 5,16% no fechamento.
O movimento favoreceu os ativos de risco e contribuiu para o desempenho positivo das bolsas americanas. Em Wall Street, o S&P 500 avançou cerca de 0,5%.
No mercado brasileiro, a valorização das ações dos grandes bancos também ajudou a limitar a queda do Ibovespa. O Itaú Unibanco subiu 0,62%, o Bradesco avançou 0,56%, o Santander ganhou 0,51% e o Banco do Brasil registrou alta de 0,23%.
A Vale apresentou leve valorização de 0,16%, acompanhando a estabilidade dos contratos futuros do minério de ferro na China.
Dólar recua, mas acumula alta na semana
No mercado de câmbio, o dólar à vista encerrou a sexta-feira em queda de 0,23%, cotado a R$ 5,1817. Apesar do recuo diário, a moeda americana acumulou valorização de 0,73% em relação ao real durante a semana.
A combinação entre inflação acima das expectativas, oscilações do petróleo e incertezas internacionais manteve os investidores cautelosos. Para os próximos pregões, o mercado continuará acompanhando a trajetória dos juros americanos, os desdobramentos das negociações entre Estados Unidos e Irã e os novos indicadores da economia brasileira.






