O Ibovespa encerrou o pregão desta s última egunda-feira (28) em queda de 0,26%, aos 182.991,13 pontos, pressionado pelo cenário internacional desfavorável e pela cautela dos investidores diante das eleições presidenciais brasileiras. O dólar avançou 0,83%, fechando a R$ 5,2264, seu maior valor em seis meses.
O principal índice da Bolsa brasileira registrou a quarta sessão consecutiva de perdas. Durante o dia, oscilou entre 181.931,36 e 184.094,65 pontos, com volume financeiro de R$ 25,46 bilhões. Apesar da sequência negativa, o Ibovespa ainda acumula valorização de 3,14% em setembro e de 13,57% em 2026.
Alta do petróleo e dos juros americanos pressiona os mercados
No cenário internacional, a valorização do petróleo e o avanço dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, conhecidos como Treasuries, contribuíram para reduzir o apetite dos investidores por ativos de risco.
O petróleo Brent encerrou o dia em alta de 0,92%, cotado a US$ 105,28 por barril, após alcançar US$ 108,83 durante a sessão. O movimento ocorreu em meio ao impasse nas negociações entre Estados Unidos e Irã, aumentando as preocupações com o abastecimento global de energia.
A alta da commodity também intensificou os receios de uma pressão inflacionária mais persistente, o que poderia levar o Federal Reserve (Fed), banco central americano, a manter uma política monetária restritiva por mais tempo.
Os rendimentos dos títulos americanos de dez anos chegaram a aproximadamente 5,23%, acima dos 5,18% registrados na sexta-feira (25). Em Wall Street, o índice S&P 500 encerrou o pregão em queda de 0,77%.
Pesquisas eleitorais movimentam o mercado brasileiro
No Brasil, a proximidade do primeiro turno das eleições presidenciais, marcado para 4 de outubro, acrescentou volatilidade às negociações.
Duas pesquisas eleitorais divulgadas nesta segunda-feira estiveram entre os principais assuntos acompanhados pelos investidores.
O levantamento BTG/Nexus apontou Luiz Inácio Lula da Silva com 42% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto Flávio Bolsonaro registrou 37%. Em uma simulação de segundo turno, os percentuais foram de 46% e 44%, respectivamente, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.
Já a pesquisa Quaest mostrou Lula com 39% das intenções de voto no primeiro turno, ante 34% de Flávio Bolsonaro. Na simulação de segundo turno, ambos apareceram com 42%, também dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.
Analistas consultados pela Reuters destacaram que a proximidade das eleições tem aumentado a sensibilidade do mercado às pesquisas e às propostas econômicas dos candidatos. As preocupações com a trajetória das contas públicas também permanecem entre os fatores acompanhados pelos investidores.
Dólar alcança maior cotação desde março
No mercado de câmbio, o dólar à vista encerrou a sessão cotado a R$ 5,2264, com valorização de 0,83%. Esse foi o maior fechamento da moeda americana desde 30 de março, quando havia terminado o pregão a R$ 5,2461.
A valorização acompanhou o fortalecimento global do dólar diante de moedas de países emergentes, incluindo o peso mexicano, o peso colombiano e o rand sul-africano.
Além do ambiente externo, as pesquisas eleitorais brasileiras contribuíram para as oscilações do câmbio. Segundo analistas de mercado, as preocupações com os rumos da política fiscal após as eleições influenciaram a demanda pela moeda americana.
Apesar da alta registrada nesta segunda-feira, o dólar ainda acumula desvalorização de 4,78% em relação ao real no ano.
Petrobras limita perdas do Ibovespa
Entre as principais ações negociadas na B3, a Petrobras apresentou desempenho positivo, acompanhando a valorização do petróleo no mercado internacional.
Os papéis preferenciais da estatal (PETR4) avançaram 1,52%, enquanto as ações ordinárias (PETR3) registraram alta de 1,83%. O desempenho ajudou a reduzir as perdas do Ibovespa durante o pregão.
A Vale também encerrou o dia no campo positivo, com valorização de 0,55%, apesar do recuo dos contratos futuros do minério de ferro na China.
Por outro lado, as ações dos grandes bancos pressionaram o índice. O Bradesco caiu 1,23%, o Itaú Unibanco recuou 1%, o Banco do Brasil perdeu 0,46% e o Santander registrou baixa de 0,2%.
Entre os destaques negativos, a Azzas 2154 apresentou queda de 5,25%, devolvendo parte da forte valorização registrada na sessão anterior. Na direção contrária, a Ultrapar avançou 2,13%, recuperando parte das perdas acumuladas nos dois pregões anteriores.
Mercado acompanha inflação e decisões dos bancos centrais
Além das eleições e das tensões internacionais, os investidores repercutiram os novos indicadores econômicos brasileiros.
O Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira mostrou que a projeção mediana do mercado para a inflação de 2026 subiu de 4,92% para 4,99%. Para 2027, a estimativa passou de 4,30% para 4,31%.
As expectativas para a taxa Selic permaneceram em 13,50% ao final de 2026 e 12% em 2027. Atualmente, a taxa básica de juros está em 13,75% ao ano.
O Banco Central também informou que o Brasil registrou déficit de US$ 5,055 bilhões nas transações correntes em agosto, enquanto os investimentos diretos no país alcançaram US$ 7,396 bilhões.
Com a aproximação das eleições presidenciais, os próximos pregões deverão continuar sendo influenciados pela divulgação de pesquisas, pelas expectativas para a política econômica brasileira e pelo comportamento dos mercados internacionais. A trajetória do petróleo e dos juros americanos permanece entre os principais fatores de atenção para a Bolsa e o câmbio.






