Os índices futuros das bolsas dos Estados Unidos operavam próximos da estabilidade na manhã desta terça-feira (29), com a recuperação das ações de tecnologia compensando parcialmente as preocupações dos investidores com a alta do petróleo e os juros elevados. As tensões entre Washington e Teerã continuam influenciando o comportamento dos mercados financeiros internacionais.
Os contratos futuros do Dow Jones recuavam aproximadamente 0,1%, enquanto os do S&P 500 permaneciam praticamente estáveis. Já os futuros do Nasdaq 100 apresentavam leve valorização de 0,1%, impulsionados pela recuperação de empresas de semicondutores e inteligência artificial.
O movimento ocorre após uma sessão negativa em Wall Street. Na segunda-feira (28), o S&P 500 caiu 0,77%, o Nasdaq perdeu 0,92% e o Dow Jones recuou 0,67%, pressionados pela elevação dos rendimentos dos títulos públicos americanos e pelas incertezas geopolíticas.
Ações de tecnologia apresentam recuperação
O setor de tecnologia voltou a atrair compradores após as perdas registradas no pregão anterior. Empresas ligadas à fabricação de semicondutores e à infraestrutura de inteligência artificial apresentavam sinais de recuperação nas negociações anteriores à abertura do mercado.
As ações da Nvidia avançavam aproximadamente 0,7%, após a companhia anunciar uma ampliação de US$ 150 bilhões em seu programa de recompra de ações. Outras fabricantes de chips, como Marvell, Micron e Broadcom, também registravam valorização.
A recuperação ocorre em meio a um período de maior volatilidade para as empresas de inteligência artificial. Embora os investimentos em infraestrutura tecnológica continuem elevados, os investidores acompanham os custos de desenvolvimento dos modelos avançados e as perspectivas de retorno financeiro desses projetos.
O interesse pelo setor também foi reforçado pelas informações sobre os planos de abertura de capital da Anthropic, que busca uma avaliação de aproximadamente US$ 2 trilhões.
Petróleo elevado mantém investidores cautelosos
Apesar da recuperação das ações de tecnologia, os preços do petróleo continuam sendo uma das principais fontes de preocupação para os mercados internacionais.
O Brent avançava aproximadamente 0,8%, sendo negociado a US$ 98,58 por barril, enquanto o petróleo americano WTI subia 0,9%, para US$ 93,41.
As cotações permanecem sensíveis aos desdobramentos do conflito entre Estados Unidos e Irã, especialmente diante das dificuldades para alcançar um acordo diplomático que permita normalizar o transporte de petróleo pelo Estreito de Ormuz.
A possibilidade de interrupções prolongadas no fornecimento global de energia mantém os investidores atentos aos riscos de novas pressões inflacionárias.
A valorização dos combustíveis pode aumentar os custos de transporte e produção, afetar o consumo e dificultar o trabalho dos bancos centrais no controle da inflação.
Rendimentos dos Treasuries permanecem elevados
Outro fator que limita a recuperação das bolsas americanas é o comportamento dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, conhecidos como Treasuries.
Na segunda-feira, o rendimento do título de dez anos chegou a 5,274%, seu maior nível desde junho de 2007. Na manhã desta terça-feira, a taxa apresentava uma leve acomodação, permanecendo próxima de 5,245%.
Os rendimentos elevados aumentam os custos de financiamento para empresas e consumidores, além de tornar os investimentos em renda fixa mais atrativos em comparação com as ações.
O movimento também exerce pressão sobre as companhias de tecnologia, cujas avaliações de mercado dependem, em parte, das expectativas de crescimento e geração de caixa nos próximos anos.
Indicadores econômicos e Federal Reserve entram no radar
Além das tensões internacionais, os investidores aguardam a divulgação de novos indicadores econômicos americanos e declarações de dirigentes do Federal Reserve (Fed).
Entre os principais dados previstos para esta semana está o índice de preços de gastos com consumo pessoal (PCE), que será divulgado na quarta-feira (30). O indicador é uma das principais referências utilizadas pelo banco central americano para acompanhar a inflação.
O mercado também aguarda o relatório de empregos de setembro, previsto para sexta-feira (2), que poderá fornecer novas informações sobre as condições do mercado de trabalho e influenciar as expectativas para os juros.
Declarações de pelo menos seis autoridades do Fed também estão previstas para os próximos dias. Os investidores buscarão sinais sobre a possibilidade de novos aumentos da taxa básica americana, diante da persistência das pressões inflacionárias.
Resultados corporativos movimentam o pré-mercado
Entre os destaques individuais, as ações da Summit Therapeutics disparavam mais de 22% nas negociações anteriores à abertura de Wall Street, após a AstraZeneca anunciar um investimento de US$ 2 bilhões na companhia.
Em contrapartida, os papéis da PepsiCo recuavam aproximadamente 0,7%, depois que o JPMorgan reduziu sua recomendação para as ações da fabricante de bebidas e alimentos.
A combinação entre a recuperação das empresas de tecnologia e as preocupações com o petróleo mantém os futuros americanos próximos da estabilidade. A direção dos mercados ao longo da semana dependerá, principalmente, dos desdobramentos diplomáticos no Oriente Médio, dos indicadores de inflação e das expectativas para as próximas decisões do Federal Reserve.






