O Ibovespa encerrou o pregão desta última terça-feira (29) em alta de 0,45%, aos 183.827 pontos, interrompendo uma sequência de quatro sessões consecutivas de perdas. A recuperação foi sustentada principalmente pelas ações do Itaú Unibanco e do Banco do Brasil, em um dia marcado pela divulgação de indicadores econômicos no Brasil e nos Estados Unidos e pela cautela dos investidores diante da proximidade das eleições presidenciais.
Durante a sessão, o principal índice da Bolsa brasileira chegou a recuar até os 181.562 pontos, mas recuperou terreno ao longo da tarde e atingiu a máxima de 183.951 pontos. Nas quatro sessões anteriores, o Ibovespa havia acumulado perdas superiores a 2%.
Itaú e Banco do Brasil sustentam recuperação da Bolsa
As ações dos grandes bancos estiveram entre os principais responsáveis pela recuperação do Ibovespa. Os papéis do Itaú Unibanco e do Banco do Brasil atraíram compradores após as perdas recentes e ajudaram a compensar o desempenho negativo de outros setores.
O movimento ocorreu em meio à divulgação de novos dados sobre o mercado de crédito brasileiro. Segundo o Banco Central, as concessões de crédito cresceram 1,7% em agosto, apesar da elevação da inadimplência e do endividamento das famílias.
Os números indicam que a atividade de financiamento continua avançando, mesmo diante dos juros elevados. Entretanto, a deterioração de alguns indicadores de crédito permanece entre os fatores acompanhados pelos investidores, especialmente em relação às perspectivas de rentabilidade dos bancos.
A recuperação das instituições financeiras também contribuiu para que o Ibovespa encerrasse o pregão no campo positivo, apesar das oscilações observadas durante a manhã.
Mercado de trabalho brasileiro apresenta novos sinais de força
No cenário doméstico, os investidores acompanharam a divulgação de indicadores que mostraram a continuidade do aquecimento do mercado de trabalho.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de desemprego recuou para 5,3% no trimestre encerrado em agosto, atingindo o menor nível da série histórica iniciada em 2012.
Os dados também mostraram crescimento da renda média dos trabalhadores, reforçando os sinais de resistência do consumo das famílias.
Já o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) registrou a criação de 165.827 postos de trabalho com carteira assinada em agosto, o melhor resultado dos últimos cinco meses.
Embora os indicadores sejam positivos para a atividade econômica, um mercado de trabalho aquecido também pode dificultar a desaceleração da inflação, influenciando as expectativas para as próximas decisões do Banco Central sobre a taxa Selic.
A proximidade do primeiro turno das eleições presidenciais, marcado para 4 de outubro, também influenciou as negociações. Uma nova pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada nesta terça-feira apontou empate técnico em uma simulação de segundo turno, com Flávio Bolsonaro registrando 47,7% das intenções de voto e Luiz Inácio Lula da Silva, 47,6%.
A divulgação do levantamento ocorreu em um momento de maior volatilidade dos ativos brasileiros. Os investidores acompanham as propostas econômicas dos candidatos, especialmente em relação à política fiscal, à trajetória da dívida pública e às perspectivas para os juros.
Cenário internacional continua pressionado pelos juros americanos
No exterior, os mercados permaneceram atentos à elevação dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, conhecidos como Treasuries, e aos sinais de desaceleração da economia americana.
A divulgação de indicadores mais fracos sobre a confiança dos consumidores e a disponibilidade de vagas de emprego aumentou as discussões sobre os próximos passos do Federal Reserve, o banco central americano.
As bolsas de Wall Street encerraram a sessão em queda, refletindo as preocupações com os juros elevados e seus possíveis efeitos sobre o crescimento econômico.
O petróleo também apresentou desvalorização, em meio às expectativas relacionadas às negociações entre Estados Unidos e Irã. A oscilação da commodity continua sendo acompanhada pelos investidores devido aos seus efeitos sobre a inflação mundial e as ações de empresas do setor energético.
Dólar recua após valorização recente
No mercado de câmbio, o dólar encerrou a terça-feira em queda de aproximadamente 0,17%, cotado a R$ 5,216. O movimento ocorreu após a moeda americana atingir, na sessão anterior, seu maior valor em cerca de seis meses.
A desvalorização representou um alívio para o real, embora as incertezas internacionais e domésticas continuem influenciando as negociações.
Mercado acompanha inflação e próximos indicadores
Nos próximos pregões, os investidores continuarão atentos à divulgação de novos dados econômicos nos Estados Unidos, especialmente aos indicadores de inflação e emprego, que poderão influenciar as decisões do Federal Reserve.
No Brasil, a proximidade das eleições presidenciais e as expectativas para a política monetária deverão permanecer entre os principais fatores de volatilidade.
A recuperação desta terça-feira interrompeu a sequência negativa do Ibovespa, mas o desempenho dos próximos pregões continuará condicionado ao comportamento dos juros internacionais, às perspectivas para a economia brasileira e aos resultados das empresas de maior peso na Bolsa.






