As bolsas de Nova York terminaram o pregão desta última quarta-feira (30) sem uma direção única, após a divulgação de dados de inflação dos Estados Unidos abaixo das expectativas. O resultado reduziu parte das apostas de que o Federal Reserve poderá elevar os juros em outubro, mas outros indicadores econômicos mais fortes mantiveram os investidores cautelosos.
O Dow Jones caiu 0,86%, aos 50.906,05 pontos, enquanto o S&P 500 recuou 0,25%, para 7.651,54 pontos. Na contramão, o Nasdaq Composite avançou 0,24%, aos 26.861,06 pontos, sustentado principalmente pela força das empresas de tecnologia.
Inflação fica abaixo das projeções
O principal destaque da sessão foi o índice de preços dos gastos com consumo pessoal, o PCE, considerado a principal medida de inflação acompanhada pelo Federal Reserve.
O indicador avançou 3,4% em agosto na comparação anual, abaixo da estimativa de 3,7% dos economistas consultados pela Reuters. Na comparação mensal, o PCE subiu 0,3%. O núcleo do indicador, que exclui alimentos e energia, aumentou 3,0% em 12 meses e 0,2% no mês.
A leitura mais branda da inflação reduziu a pressão sobre o banco central americano e alterou as expectativas para a próxima reunião de política monetária. O mercado passou a considerar menos provável uma nova elevação dos juros em outubro.
Apesar da desaceleração em relação às expectativas anteriores, a inflação continua acima da meta de 2% estabelecida pelo Federal Reserve. Por isso, os dados ainda não eliminam as preocupações sobre a trajetória dos preços nos Estados Unidos.
Nasdaq ganha força com alívio sobre os juros
As ações de tecnologia foram beneficiadas pelo resultado do PCE. Empresas de crescimento tendem a reagir de maneira mais sensível às expectativas de juros, já que uma eventual redução da pressão monetária pode favorecer a avaliação de lucros futuros.
O Nasdaq conseguiu avançar durante o pregão, enquanto o S&P 500 e o Dow Jones terminaram no campo negativo. O movimento mostrou a diferença de comportamento entre os setores mais ligados ao crescimento e as empresas mais sensíveis à atividade econômica e aos custos de financiamento.
PIB dos EUA é revisado para cima
O alívio proporcionado pela inflação, entretanto, foi parcialmente compensado por outros indicadores econômicos.
O Produto Interno Bruto dos Estados Unidos cresceu a uma taxa anualizada de 2,2% no segundo trimestre, segundo a revisão mais recente do Departamento de Comércio. O número representa uma alta de 0,7 ponto percentual em relação à estimativa anterior.
O resultado reforçou a percepção de que a economia americana permanece resistente mesmo diante das condições financeiras restritivas. O crescimento foi apoiado pelo consumo das famílias e pelos investimentos, incluindo os gastos relacionados à expansão da infraestrutura de inteligência artificial.
Mercado de trabalho também surpreende
Outro dado que chamou a atenção dos investidores foi o relatório da ADP, segundo o qual o setor privado americano criou 90 mil empregos em setembro. O resultado ficou acima da previsão de 70 mil vagas e também superou o número registrado em agosto.
A combinação entre inflação mais moderada, crescimento econômico acima do esperado e mercado de trabalho ainda resistente deixou os investidores avaliando diferentes possibilidades para os próximos passos do Federal Reserve.
Ao mesmo tempo, os rendimentos dos títulos do Tesouro americano permaneceram elevados. O yield da Treasury de dez anos chegou a cerca de 5,30%, enquanto o título de 30 anos alcançou aproximadamente 5,65%, mantendo pressão sobre as ações.
Wall Street termina setembro com desempenho misto
O encerramento do pregão também marcou o fim de setembro e do terceiro trimestre. No mês, o Dow Jones acumulou queda de 4,3%, enquanto o S&P 500 recuou 0,5%. O Nasdaq, por outro lado, avançou 1,9%.
No trimestre, S&P 500 e Nasdaq terminaram novamente em alta, enquanto o Dow Jones encerrou o período no campo negativo.
Para os próximos pregões, os investidores devem continuar acompanhando os indicadores de inflação, emprego e atividade econômica em busca de sinais sobre a trajetória dos juros americanos. O comportamento dos Treasuries e dos preços do petróleo também permanece entre os principais fatores capazes de influenciar o mercado acionário.






