O Ibovespa encerrou o primeiro pregão de outubro em alta, enquanto o dólar avançou para a faixa de R$ 5,22, em uma sessão marcada pela cautela dos investidores diante da proximidade do primeiro turno das eleições presidenciais. Nesta quinta-feira, 1º de outubro, o principal índice da Bolsa brasileira subiu 0,46%, aos 187.197,46 pontos. Já o dólar comercial terminou o dia cotado a R$ 5,2204, com valorização de 0,88%.
O comportamento dos ativos refletiu uma combinação de fatores domésticos e externos. No Brasil, a aproximação da votação aumenta a sensibilidade dos mercados às pesquisas eleitorais, aos debates e às possíveis mudanças na percepção dos investidores sobre a condução econômica a partir de 2027. No exterior, a forte valorização do petróleo e o ambiente de maior aversão ao risco também contribuíram para pressionar o câmbio.
Bolsa mantém trajetória positiva
Apesar da volatilidade ao longo do pregão, o Ibovespa conseguiu sustentar o movimento de alta e voltou a ficar próximo da marca de 187 mil pontos. O índice chegou a oscilar entre 184.767,78 e 187.436,73 pontos durante a sessão, com volume financeiro de aproximadamente R$ 26,2 bilhões.
O resultado deu continuidade ao desempenho positivo observado nos últimos pregões. Em setembro, o Ibovespa havia acumulado valorização de cerca de 5%, encerrando o mês em nível recorde, favorecido principalmente pela melhora das expectativas em relação à trajetória dos juros e pela entrada de recursos no mercado acionário.
Entre os principais suportes do pregão estiveram as ações da Petrobras, beneficiadas pela disparada das cotações internacionais do petróleo. Os papéis ordinários da companhia avançaram 1,80%, enquanto as ações preferenciais subiram 1,32%. A Vale também terminou o dia em alta de 0,56%.
O desempenho das empresas ligadas às commodities ajudou a compensar a pressão sobre parte do setor financeiro. Santander caiu 2,96%, enquanto o índice financeiro da Bolsa recuou 0,07%.
Dólar sobe com pressão externa e eleições
No mercado de câmbio, o movimento foi diferente. O dólar comercial avançou 0,88%, encerrando a sessão a R$ 5,2204. A moeda chegou a atingir R$ 5,24 durante o pregão, acompanhando a valorização do dólar no exterior e o aumento da busca por proteção diante das incertezas globais.
O cenário internacional teve forte influência sobre o câmbio. O petróleo Brent voltou a superar os US$ 100 por barril, enquanto investidores acompanhavam a continuidade das tensões no Oriente Médio e os riscos para a oferta global de combustíveis.
O Brent fechou a sessão a US$ 102,31 por barril, com alta de 4,37%. O WTI, referência para o mercado norte-americano, subiu 2,71%, para US$ 92,87. A valorização da commodity reforçou as preocupações com inflação e juros em diferentes economias.
Além disso, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar diante de uma cesta de moedas fortes, avançou 0,58%, indicando que parte da pressão sobre o real veio de um movimento mais amplo de fortalecimento da moeda norte-americana.
Eleições aumentam volatilidade
No mercado doméstico, a proximidade do primeiro turno colocou o cenário eleitoral no centro das decisões dos investidores. A votação está marcada para domingo, 4 de outubro, deixando apenas mais um pregão antes da abertura das urnas.
A divulgação de novas pesquisas eleitorais e a realização dos últimos debates aumentaram a atenção sobre possíveis mudanças nas expectativas para a política econômica do próximo governo. O mercado também monitora especialmente as discussões relacionadas às contas públicas, à trajetória da dívida e à condução fiscal.
A cautela também aparece no mercado de juros futuros. As taxas de contratos mais longos avançaram durante o pregão, em um movimento associado à redução de posições mais arriscadas antes da definição eleitoral e às incertezas sobre o ambiente econômico de 2027.
Cenário externo segue no radar
Nos Estados Unidos, os principais índices acionários terminaram o dia com leves ganhos. O Dow Jones subiu 0,04%, o S&P 500 avançou 0,19% e o Nasdaq teve alta de 0,04%.
Os investidores acompanharam ainda o comportamento dos Treasuries e aguardaram a divulgação do relatório de empregos dos Estados Unidos, o payroll, prevista para esta sexta-feira. O indicador é considerado relevante para as expectativas em relação aos próximos passos do Federal Reserve.
Dessa forma, o mercado brasileiro encerrou o primeiro pregão de outubro com movimentos distintos entre Bolsa e câmbio: enquanto o Ibovespa encontrou suporte principalmente nas ações ligadas ao petróleo e conseguiu avançar, o dólar foi pressionado pela valorização da moeda americana no exterior, pela alta das commodities e pela cautela adicional provocada pela reta final das eleições.






