A desvalorização do iene japonês desde 2025 ocorreu exclusivamente durante os horários de negociação dos mercados europeus e americanos, segundo uma análise do Bank of America. O levantamento aponta uma mudança importante no comportamento da moeda, que passou a apresentar maior estabilidade durante o pregão de Tóquio, apesar da pressão observada no mercado internacional de câmbio.
Em relatório divulgado em 8 de outubro, os analistas Shusuke Yamada e Izumi Devalier observaram que, entre o segundo trimestre de 2025 e o segundo trimestre de 2026, a fraqueza do iene foi concentrada nas sessões de Londres e Nova York. Entre 2021 e meados de 2024, por outro lado, a moeda japonesa havia perdido valor tanto durante o horário asiático quanto nas negociações internacionais.
Segundo o banco, a estabilidade do iene durante o pregão de Tóquio pode estar relacionada à melhora do balanço de pagamentos do Japão. Já a pressão vendedora nas sessões internacionais teria sido influenciada pela valorização das ações ligadas à inteligência artificial e pela postura monetária considerada gradual do Banco do Japão (BoJ).
O desempenho positivo da Bolsa japonesa também pode ter contribuído para a desvalorização da moeda. Investidores estrangeiros que compram ações do país frequentemente utilizam operações de proteção cambial para reduzir o risco de variações no câmbio. Essas estratégias podem gerar pressão adicional de venda sobre o iene, dependendo da forma como são estruturadas.
Outro fator é a diferença entre as taxas de juros do Japão e de outras economias desenvolvidas. Mesmo com o Banco do Japão elevando sua taxa básica para 1,25% em setembro de 2026, o nível permanece relativamente baixo em comparação com outras economias, o que mantém o iene atrativo como moeda de financiamento em determinadas estratégias de investimento.
O cenário, porém, começou a mudar após a intervenção coordenada das autoridades japonesas e americanas no mercado cambial, em julho, e o aumento das expectativas de novos reajustes de juros no Japão. Uma pesquisa citada pelo Bank of America mostrou que a parcela de investidores pessimistas com o iene caiu de aproximadamente 60% em agosto para 30% em setembro.
Os analistas do banco esperam que o Banco do Japão eleve os juros em 0,25 ponto percentual em dezembro de 2026, março de 2027 e julho de 2027, levando a taxa básica a 2%. A instituição mantém uma recomendação favorável à valorização do iene em relação ao dólar, mas alerta que novas pressões sobre a moeda podem surgir caso o dólar volte a ganhar força ou o mercado reavalie o ritmo de aperto monetário japonês.
A análise reforça que o comportamento do iene depende não apenas das decisões do banco central japonês, mas também dos fluxos internacionais de capital, do desempenho das bolsas e das expectativas sobre os juros americanos. A diferença entre os movimentos observados durante o pregão asiático e as sessões internacionais oferece aos investidores uma perspectiva adicional para acompanhar a direção da moeda.






