Gestores brasileiros de fundos de criptomoedas experimentaram um forte aumento dos volumes negociados e do interesse dos cotistas e investidores em geral após a aprovação regulatória nos EUA, no último dia 10, dos fundos negociados em bolsa (ETFs) de bitcoin à vista.
Na semana encerrada no dia 19 de janeiro, os produtos brasileiros tiveram um fluxo positivo de US$ 6,8 milhões, totalizando US$ 17 milhões, segundo dados da Coinshares, que faz o monitoramento global dos fundos cripto. Dos países pesquisados, o Brasil só ficou atrás dos EUA, com fluxo de US$ 263,2 milhões, totalizando US$ 1,625 bilhões este ano.
A Hashdex, maior gestora cripto brasileira, registrou no último dia 11, data de lançamento dos produtos nos EUA, mais de R$ 16 milhões em negociação do seu ETF de bitcoin (BITH11). Foi o maior volume diário desde julho de 2022, correspondente a oito vezes o volume médio diário desde o lançamento desse fundo. O fundo Hashdex Bitcoin FIC recebeu aportes de R$ 23 milhões, o equivalente a 30% do total de todo o ano passado.
Segundo João Marco Cunha, diretor de investimentos da Hashdex, o interesse não se restringiu a esse dia apenas. Janeiro já acumula, até o dia 18, R$ 67 milhões negociados, mais do que qualquer outro mês desde março de 2022. “Definitivamente, a aprovação do ETF nos EUA despertou o interesse dos investidores por aqui”, disse.
Na QR Asset, segunda maior do segmento, o ETF de bitcoin (QBTC11) teve, também no dia 11, negócios 582% acima da média dos 10 primeiros dias do mês. Mesmo o produto correspondente de ether (QETH11) teve giro 279% acima da média dos 10 primeiros dias do mês. A gestora segue o índice CMF CF Benchmark, usado como referência nos ETFs da BlackRock, Franklin Templeton, Bitwise, WisdomTree, Valkyrie e ARK.
Para Theodoro Fleury, gestor da QR Asset, o aumento nos volumes dos produtos brasileiros nos dias seguintes à aprovação dos ETFs nos Estados Unidos respondeu às preocupações sobre uma possível concorrência entre produtos americanos com os brasileiros. “O movimento observado indica que a aprovação pela SEC renovou o interesse do investidor brasileiro nos produtos disponíveis na B3”, disse.
A Itaú Asset também viu um aumento do interesse do público investidor pelos ETFs de bitcoin em estratégias de diversificação, segundo Renato Eid, responsável por ETFs da gestora do Itaú. A gestora recomenda que os clientes com perfil de risco para o segmento tenham alocação entre 0,5% e 3% do portfólio em criptomoedas com vista a um horizonte de médio a longo prazo de investimento.
“O fato de a SEC ter dado a chancela para um ETF spot ajuda muito no acesso ao ativo. Uma série de investidores não tinha essa classe de ativo em seus portfólios. É um passo importante que corrobora com essa jornada de dar acesso aos investidores de forma simples, rápida e barata”, disse Eid.
Para Fleury, da QR Asset, a aprovação do ETF no mercado americano chama a atenção para um ativo até então ignorado por boa parte dos grandes investidores. “Pelo fato de ser um ETF de Bitcoin aprovado numa jurisdição forte como nos Estados Unidos, gerido por gestores de peso como Blackrock e Fidelity, notamos que o tema bitcoin tem sido mais recorrente nas discussões sobre investimentos e composição de portfólio. Os investidores estão prestando mais atenção no ativo”, disse Fleury.
“Além de atrair o interesse de investidores, como já foi dito, a aprovação nos EUA tem um papel importante de ajudar a remover algumas barreiras psicológicas que ainda impediam investidores, principalmente profissionais, e assessores de investimento a alocarem ou recomendarem a alocação”, disse João Marco, da Hashdex.
Fonte: Valor Econômico






