Executivo argentino pode assumir J.P. Morgan (Crédito: Bloomberg)
Presidente global do J.P. Morgan, chefe global de operações (COO) e chefe do banco de investimento do grupo, o argentino Daniel Pinto é uma figura discreta. Seu tom de voz é baixo e firme e suas expressões faciais já sinalizam claramente se concorda ou discorda do interlocutor. Ele esboça um sorriso simpático e ligeiramente cansado, após uma agenda de incontáveis cafés, almoços e que ainda se seguiria num jantar em São Paulo. Os clientes querem ouvi-lo – e ele soa moderadamente otimista, vendo os efeitos dos juros altos levando em breve a uma normalização da economia em mercados como o americano e o brasileiro.
Nascido em Buenos Aires, Pinto deixou o país em 1991, sem perder o vínculo afetivo. Como executivo latino-americano que alçou um dos postos mais altos no mercado financeiro global, tem uma visão privilegiada da dinâmica dos mercados e de como o mundo enxerga a região sul das Américas. Para ele, é um momento peculiar.
“A remodelação das cadeias de suprimento e as tensões óbvias entre Estados Unidos e China tendem a ser positivas para a América Latina. Temos visto investimentos substanciais no México, por exemplo, de companhias retomando produção do que já terceirizavam ou buscando um novo fornecedor para o que compravam da China”, diz o executivo ao Pipeline.
Ele rejeita o termo “desglobalização”, como alguns economistas se referem, e prefere o que seu CEO Jamie Dimon define como “reestruturação global do comércio”, um movimento inflacionário que ajuda a explicar os índices de preços atuais. Também avalia que a disputa entre EUA e China continuará sendo um tema relevante.
“Sempre haverá algum nível de tensão entre Estados Unidos e China e temos que começar a nos acostumar com isso. Desde que seja aparada com diálogo, é uma tensão administrável”, diz. “A América Latina está no meio dessa competição entre dois gigantes e isso é ótimo para a região se os países souberem tirar vantagem dessa situação”, reforça.






