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Início ESG

Primeiro leilão de linha de crédito para economia verde será realizado pelo Tesouro

Carla Santiago por Carla Santiago
10 de setembro de 2024
em ESG
Primeiro leilão de linha de crédito para economia verde será realizado pelo Tesouro

Fonte: Guia da Carreira

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Está começando a sair do papel uma das principais apostas do governo para o financiamento climático do Brasil.

O Tesouro Nacional fará o primeiro leilão para que os bancos possam tomar uma linha de crédito subsidiada para financiar projetos da economia verde. Trata-se do primeiro passo concreto do EcoInvest, programa criado no primeiro semestre para atrair capital privado internacional para financiar a transição da economia do país para baixo carbono.

O processo foi aberto em julho e a entrega das propostas está marcada para 11 de outubro. Os lances mínimos são de R$ 100 milhões. 

Trata-se um uma modalidade financeira conhecida como blended finance, em que o capital catalítico (filantrópico ou subsidiado) entra para reduzir custos ou mitigar riscos, atraindo recursos privados em maior escala.

O principal critério de seleção das propostas no leilão será justamente a capacidade dos bancos de alavancar o dinheiro subsidiado com recursos captados no exterior. Pelas regras, a alavancagem mínima tem que ser de seis vezes.

Ou seja, para ter direito a receber R$ 100 milhões, o banco terá que se comprometer a captar ao menos R$ 500 milhões no mercado externo, via emissão de título de dívida ou contrato de empréstimo. 

A somatória de R$ 600 milhões terá que ser destinada ao financiamento de projetos que contribuam para a redução das emissões de gases de efeito estufa ou para a adaptação às mudanças climáticas, seguindo uma lista de setores e atividades que também foram definidos pelo governo.

A linha tem prazo de pagamento de até dez anos, com amortizações durante o período, e custará para os bancos 1% ao ano (taxa nominal, sem inflação). Como os recursos captados fora terão custo de mercado, quanto maior a alavancagem, mais o subsídio será diluído, encarecendo o custo do funding e a taxa para o tomador final.

“O custo dos recursos será atrativo para projetos que já estejam rodando, mas não para tirar novos negócios do papel”, avalia o executivo de um grande banco.

O Tesouro não informou qual será o valor total leiloado. Segundo um integrante da equipe do governo, no limite, há espaço para chegar a R$ 10 bilhões este ano, mas é pouco provável que se atinja essa cifra num primeiro teste e faltando poucos meses para o ano terminar. Igual volume está reservado para 2025.

Cada banco – ou consórcio formado por duas instituições – poderá fazer quantos lances quiser, com índices de alavancagem diferentes. A única limitação é que uma instituição não poderá levar mais do que 25% dos recursos leiloados.

Os recursos do Tesouro serão denominados em reais, portanto, sem risco cambial para os tomadores dos empréstimos. E ao menos 60% do dinheiro captado pelos bancos terá que contar com proteção cambial.

A linha será operada via Fundo Clima, com dinheiro do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e também das duas emissões de ‘sustainable bonds’ de US$ 2 bilhões cada, feitas pela República este ano.

Depois de receber as propostas, o Tesouro terá 20 dias para organizá-las e enviar para o comitê executivo para aprovação da alocação dos recursos.

Projeto de lei

A Medida Provisória que criou a linha de blended finance já caducou e agora um projeto de lei precisa passar pelo Congresso. A Câmara deu o aval na semana retrasada e o PL seguiu para o Senado. 

A realização do leilão não depende da aprovação, mas ela precisa acontecer antes da homologação e divulgação dos resultados (45 dias depois do certame).

Apetite e aplicação

O Tesouro tem conversado ativamente com a Febraban, federação que reúne os bancos, e com instituições financeiras individualmente, tirando dúvidas e também ouvindo sugestões. 

“Vai funcionar como um piloto para o Tesouro e para todo o mercado. Todos estão alinhados com o mesmo objetivo de aumentar o financiamento climático, agora vamos testar como funcionará na prática”, diz a executiva de um grande banco privado que deve participar do certame.

Depois de algumas dessas conversas houve a decisão de reduzir o lance mínimo, previsto inicialmente em R$ 500 milhões, e também de adiar a data-limite para entrega das propostas de 9 de setembro para 11 de outubro.

“A redução do tamanho do lance vai permitir a participação de mais instituições”, comenta um executivo.

Além de captar os recursos, os bancos terão trabalho para originar a carteira de projetos verdes. O governo deixou de fora os setores de energia solar e eólica, por considerar que já existe bastante capital para ambos. Apenas a geração distribuída está contemplada.

A lista de 19 setores elegíveis vai de biocombustíveis a produtos florestais, passando por indústria de baixo carbono, agropecuária sustentável, edifícios resilientes e captura de carbono. Para cada um desses, há um detalhamento das atividades que podem ser financiadas.

“Para este primeiro leilão, estamos varrendo a carteira de clientes para ver quais têm projetos que se enquadram. Nos próximos, novos clientes devem ser atraídos”, diz o executivo de um banco.

A ideia é que os próximos leilões sejam para setores específicos da lista. 

Tags: esgnegócios

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