O governo federal iniciou nesta segunda-feira (17/7) a primeira fase do programa Desenrola Brasil, destinado a incentivar a renegociação de dívidas — um problema que atinge 71,9 milhões de brasileiros, segundo a avaliadora de crédito Serasa. Esta primeira etapa inclui quem tem débitos com bancos e renda mensal bruta de até R$ 20 mil. Cada banco decide se quer ou não participar.
Em setembro, o governo promete lançar a segunda e mais importante fase do programa, destinada a quem tem renda até dois salários mínimos (R$ 2.640) ou esteja inscrito no CadÚnico, o cadastro único de quem recebe Bolsa Família e outros programas sociais.
De acordo com o governo, o objetivo do Desenrola é que brasileiros endividados limpem seus nomes ou deixem de ter o “CPF negativado”.
Isso porque, com o nome “limpo” e o CPF livre, é possível voltar a comprar a prazo, pedir empréstimos, abrir crediário ou fazer um novo contrato de aluguel, por exemplo.
Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bradesco, Itaú, Picpay, Inter, PagBank e Santander são os bancos que já participam do programa. Outros bancos ainda devem anunciar suas participações como Nubank e C6 Bank.
Veja como participar do Desenrola, de acordo com o seu banco:
Banco do Brasil: o Banco do Brasil divulgou que vai ofertar condições como parcelamento em até 120 vezes, desconto de até 25% nas taxas e de até 96% na liquidação à vista (válida para público selecionado).
Para participar, o interessado pode:
— Acessar o site www.bb.com.br/renegocie
— Enviar #renegocie para o WhatsApp (61) 4004-0001
— Acessar o aplicativo do banco ou internet banking
— Ligar para 4004-0001 (capitais e regiões metropolitanas) ou 0800 729 0001 (demais localidades)
— Entrar em contato em toda a rede de agências
Caixa Federal: a Caixa informou oferecer as seguintes condições para pagamento: quitação à vista, com descontos de até 90% (sem cobrança de IOF); Parcelamento da dívida de 12 a 96 meses, com taxas personalizadas e primeira parcela para 30 dias (nesse caso, a negociação prevê entrada de 10% do valor da dívida, acrescida de IOF).
Para participar, o interessado pode:
— Acessar o site https://www.caixa.gov.br/voce/negociacao/Paginas/default.aspx
— Enviar mensagem pelo WhatsApp (08001040104)
— Acessar os aplicativos Cartões CAIXA, Habitação CAIXA e CAIXA Tem (opção Desenrola Brasil)
— Ligar para 4004-0104 (capitais e regiões metropolitanas) ou 0800 104 0 104 (demais cidades), de segunda a sexta, no horário entre 8h e 20h.
Além do Desenrola Brasil, a Caixa também promove sua campanha própria Tudo Em Dia, com renegociação de dívidas para os clientes do banco com até 90% de desconto.
Bradesco: o banco informou que as condições irão variar de acordo com o perfil da dívida.
Para participar, o interessado pode:
— Acessar o site https://nd-bradesco.negociedigital.com.br/
— Acessar por outros canais digitais (Mobile, IB, Fone Fácil e ATM)
— Solicitar diretamente na rede de agências do banco
Itaú: o banco irá oferecer descontos e condições especiais para a renegociação, com redução de taxas de juros de até 60% para dívidas em atraso.
Para participar, o interessado pode:
— Acessar o site https://renegociacao.itau.com.br/
— Entrar em contato pelo WhatsApp (11) 4004-1144
Santander: o banco informa que trará ofertas com e sem entrada, taxas flexíveis e descontos de até 90% e parcelamento em até 120 vezes.
O interessado pode:
— Ligar para 4004-3535 (capitais e regiões metropolitanas) ou 0800 702 3535 (demais localidades) de segunda a sexta das 08h às 21h e sábado das 09h às 16h
— Acessar: www.santander.com.br/renegociacao
Santander Financiamentos:
— Ligar para telefone 4004-9090 (capitais e regiões metropolitanas), ou 0800 722 9090 (demais localidades) de segunda a sexta das 08h às 21h, e sábado das 09h às 16h
— Enviar mensagem WhatsApp: 4004-9090
— Acessar: www.negociemais.santanderfinanciamentos.com.br
Picpay: o PicPay informou que vai participar do Desenrola com taxas a partir de 1,5% e parcelamento de até 60 meses. É possível participar pelo aplicativo da instituição ou acessando o link: https://nc.original.com.br/.
Pagbank
O interessado pode:
— Entrar em contato com a Central de Atendimento do banco (0800-721-4002 para cartão e empréstimos e 0800-728-2174 para consignado)
O banco também informou que participa do Limpa Nome Serasa.
Inter
O interessado pode:
— Acessar o portal https://www.bancointer.com.br/negocie/
— Acessar o aplicativo da instituição
— Entrar em contato pela Central de Atendimento, 3003-4070.
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Quem pode participar do programa e quando?
- Etapa já iniciada, faixa 2: renda até R$ 20 mil e “limpeza do nome” para débitos de R$ 100
Quem ganha até R$ 20 mil brutos por mês e tem dívidas atrasadas de qualquer valor pode procurar sua instituição bancária para saber se ela aderiu ou não ao Desenrola – cada banco pode decidir se entra ou não no programa.
Atenção para a data dos débitos: só poderão ser renegociadas as dívidas contraídas entre 2019 e 31 de dezembro de 2022.
Só valem dívidas com os próprios bancos. Débitos com concessionárias de serviços como água e luz, ou com lojas, não podem ser incluídos.
As renegociações poderão ser feitas até o dia 30/12/2023.
Os bancos que aceitarem entrar no Desenrola também vão “limpar o nome” automaticamente de quem tem débitos até R$ 100. Quem tem dívida até esse teto de valor não vai estar mais “negativado”, ou seja, vai poder comprar a crédito, se não tiver outras restrições. Com essa ação, o governo federal considera que pode beneficiar cerca de 1,5 milhão de pessoas.
A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) lembra que não se trata de um “perdão” das dívidas de até R$ 100. Os devedores têm que comparecer aos banco para renegociá-las. Se não o fizerem, voltarão a ficar com o nome sujo no futuro.
- Etapa prevista para setembro, faixa 1: renda até 2 salários mínimos
O governo promete lançar em setembro a fase de renegociação das dívidas da chamada faixa 1 de renda, que são os trabalhadores que recebem até dois salários mínimos (R$ 2.640) ou pessoas cadastradas no CadÚnico, que reúne os os beneficiários dos principais programas sociais.
Para este público, valem dívidas de até R$ 5 mil.
Nesta segunda fase, além das dívidas com os bancos, também poderão ser renegociadas outras dívidas, como contas de energia, internet e telefone.
Destinada à parcela mais pobre da população, essa fase é considerada “o grande teste de fogo” do programa, diz Lauro Gonzalez, professor do departamento de finanças da FGV.
O motivo é que o governo vai lançar uma plataforma específica para o programa, a ser usada por devedores e instituições financeiras, e que ainda está sendo desenvolvida.
Segundo Gonzalez e Izis Ferreira, economista da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), ainda não está claro como funcionará esse aplicativo.
A expectativa é que, por meio dessa plataforma, as pessoas endividadas tenham acesso a todos os débitos e às propostas de cada instituição para a renegociação. Garantir que ela funcione e seja fácil para o uso é um dos desafios.
Vale a pena renegociar suas dívidas com o programa Desenrola?
Segundo especialistas ouvidos pela BBC News Brasil, é sempre importante renegociar dívidas para evitar que os valores devidos cresçam mês a mês com as altas taxas de juros. Quanto antes for possível renegociar e ficar com o nome limpo, melhor. “O sobrenome é o único ativo do brasileiro. Ficar com ele sujo traz transtornos, inclusive psicológicos”, diz Izis Ferreira, da CNC.
Mas, como nesta etapa atual do programa não há teto para a taxa de juros das renegociações, a recomendação é avaliar cuidadosamente a oferta dos bancos para decidir se vale a pena aderir já.
A dica é tentar barganhar as melhores condições para pagar o que deve antes de setembro. “Primeiro, eu buscaria a instituição para a qual eu devo e perguntaria o que ela me oferece para renegociar esse valor sem o Desenrola”, diz Ferreira.
“Tentaria propor que eles adiantem as condições para que essa dívida, sujeita a juros, não aumente”, sugere a economista.
Para a especialista, mesmo que a instituição financeira ainda não tenha aderido ao Desenrola, ou que a dívida só se enquadre na segunda etapa do programa, vale a pena já ligar para o banco e perguntar que tipo de condições ele oferece para uma eventual renegociação.
Outra opção, caso seu banco não esteja no programa, é tentar fazer a transferência da dívida para outra instituição que tenha aderido ao Desenrola.
Ferreira afirma, ainda, que este período pode ser uma oportunidade para que até mesmo as pessoas que tenham prestações em dia tentem uma renegociação para baixar os juros.
“As pessoas podem conversar diretamente com a instituição financeira. No contrato de crédito, há uma cláusula que garante a renegociação em qualquer período do contrato. Principalmente se ela está com dificuldades para arcar com esse pagamento, há chances desses juros serem revistos”, diz.
O que acontece se você renegociar e não conseguir pagar as parcelas?
De acordo com o professor da FGV Luiz Gonzalez, ouvido pelo G1, é essencial manter a calma no momento de fazer a renegociação. O objetivo é que as pessoas não acabem aceitando parcelas que não vão conseguir pagar. “A pessoa tem que estar atenta para que ela saiba se vai conseguir de fato cumprir as obrigações dessa nova renegociação”, diz o professor.
“Se ela desconfiar que não vai dar conta, ela pode tentar barganhar para obter uma prestação que caiba no orçamento dela e sabendo quais são as condições oferecidas normalmente pelo mercado”, afirma.
Já Iziz Ferreira, da CNC, que também participou da reportagem, fez um alerta para as pessoas que eventualmente não cumprirem com esses pagamentos da renegociação devem ter muita dificuldade ao tentar garantir crédito novamente no futuro. “A pessoa que aceitar a renegociação e não cumprir com essa nova dívida tem que ter saber as consequências disso. Porque o credor vai receber, mas ele (o consumidor) provavelmente vai ter muita dificuldade para obter crédito novamente”, diz a economista.

Quero participar do programa, onde devo me inscrever?
O governo ainda não lançou o aplicativo do programa, mas já informou que, para participar, será preciso estar inscrito no portal do governo federal GOV.BR, o www.gov.br.
O material de divulgação do Desenrola incentiva que os devedores façam já o cadastro do portal oficial, usando o CPF e seguindo as instruções. Quem se conectar usando dados de seu banco, por exemplo, “sobe” de nível no portal, de “Bronze” para “Prata” ou “Ouro”.
O governo também informa que os interessados também poderão fazer o seu cadastro no GOV.BR presencialmente nas agências do INSS. Lá, deverão se informar sobre como obter a certificação nível “Prata” ou “Ouro”.






