A produtora de celulose Suzano acionou um mecanismo de penalidade em sua dívida sustentável após não cumprir uma meta de descarbonização previamente estabelecida, o que resultará em aumento no custo de seus financiamentos.
De acordo com a reportagem, a companhia não atingiu o objetivo ambiental vinculado a uma emissão de títulos sustentáveis (os chamados sustainability-linked bonds, ou SLBs), o que automaticamente elevou a taxa de juros paga aos investidores.
A emissão em questão, realizada em 2020, somava US$ 1,25 bilhão e estava atrelada à redução da intensidade de carbono nas operações da empresa — considerando tanto emissões diretas (escopo 1) quanto consumo de energia elétrica (escopo 2). A meta previa atingir até 2025 uma intensidade de 0,190 tonelada de CO₂ por tonelada de produto, ante 0,1998 registrada em 2019.
Com o não cumprimento do objetivo, foi acionado o chamado “gatilho” contratual, elevando a taxa de juros em 25 pontos-base, para cerca de 4% ao ano. Esse aumento representa um custo adicional estimado em aproximadamente US$ 3 milhões anuais para a companhia.
O episódio também afeta outros dois instrumentos de dívida da empresa com características semelhantes. Diferentemente dos green bonds, em que os recursos são direcionados a projetos específicos, os SLBs permitem uso livre do capital, mas condicionam o custo financeiro ao cumprimento de metas ambientais, sociais ou de governança.
A situação evidencia os riscos financeiros atrelados às estratégias ESG no mercado de capitais. Ao mesmo tempo em que esse tipo de instrumento pode reduzir custos para empresas que atingem seus compromissos, ele também impõe penalidades claras em caso de descumprimento — reforçando a pressão sobre companhias para entregar resultados ambientais concretos.






