A pequena ilha de Bermuda quer deixar de ser conhecida apenas pelo turismo e pelos benefícios fiscais. O território britânico no Atlântico Norte vem acelerando sua estratégia para se tornar um dos principais polos globais de criptomoedas e ativos digitais, apostando em regulamentação favorável, infraestrutura blockchain e integração das finanças públicas ao universo cripto. A iniciativa ganhou força após o governo anunciar planos para transformar Bermuda na primeira economia totalmente “onchain” do mundo.
Segundo reportagem da CoinDesk, autoridades locais afirmam que o objetivo é utilizar blockchain em serviços públicos, pagamentos governamentais e operações financeiras do cotidiano. O projeto conta com apoio de empresas do setor cripto, como a Coinbase e a Circle, além de parcerias com a rede blockchain Stellar.
O CEO da Autoridade Monetária de Bermuda (BMA), Craig Swan, destacou que o governo já promoveu testes com carteiras digitais e distribuição de stablecoins para moradores locais, permitindo pagamentos em estabelecimentos comerciais e conversão imediata para moeda fiduciária. O país também alterou sua legislação para aceitar ativos digitais no pagamento de impostos e taxas públicas, começando pelo Departamento de Veículos Motorizados.
A estratégia de Bermuda busca reduzir custos financeiros e diminuir a dependência de sistemas bancários tradicionais, considerados caros para uma economia insular. O primeiro-ministro David Burt afirmou recentemente que a digitalização financeira pode aumentar a competitividade do país e criar novas oportunidades econômicas para empresas e cidadãos.
Especialistas apontam que Bermuda possui vantagens importantes para avançar nesse modelo, incluindo seu tamanho reduzido e tradição no setor financeiro internacional. O território já abriga um dos maiores centros globais de resseguros e vem desenvolvendo regulamentações específicas para ativos digitais desde 2017, atraindo empresas do setor cripto mesmo durante períodos de forte volatilidade do mercado.
Apesar do otimismo, autoridades reconhecem desafios jurídicos e regulatórios para ampliar o uso da tecnologia blockchain em escala nacional. Questões relacionadas à validade legal de contratos inteligentes, registros digitais de propriedade e supervisão de operações automatizadas ainda exigem adaptações legislativas. A BMA também avalia mecanismos de compliance automatizado para combater lavagem de dinheiro e monitorar transações digitais em tempo real.
O movimento de Bermuda é acompanhado de perto pelo mercado internacional de criptomoedas, que vê o país como um possível laboratório para a integração entre finanças tradicionais e economia digital. Caso o modelo avance, especialistas acreditam que outras pequenas jurisdições poderão seguir caminho semelhante nos próximos anos.






