A Copa do Mundo 2026 deve injetar R$ 4,32 bilhões no varejo brasileiro ao longo do torneio, de acordo com estimativa divulgada nesta última segunda-feira (1) pela CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo). O número representa um avanço real de 6,5% na comparação com o volume registrado no Mundial do Catar, em 2022.
O crescimento, segundo a entidade, tem base sólida: mercado de trabalho aquecido e inflação mais controlada favorecem o poder de compra do consumidor. Porém, o crédito mais caro funciona como freio, especialmente na corrida por televisores novos, categoria que historicamente aquece nas vésperas de cada edição do campeonato.
Supermercados concentram quase 70% do volume previsto
O setor de hipermercados e supermercados lidera com folga as projeções da CNC. Só esse segmento deve responder por R$ 3,97 bilhões, o equivalente a quase 70% do total estimado para o período. O resultado reflete uma tendência clara identificada pela entidade: com o crédito encarecido, o consumidor migra para gastos imediatos, como alimentos, bebidas e artigos de menor valor.
Os demais setores aparecem com participação bem menor. Vestuário e acessórios devem faturar R$ 803,7 milhões. Artigos de uso pessoal e doméstico, que inclui eletroeletrônicos de menor porte, devem somar R$ 262,6 milhões. Já informática e comunicação respondem por R$ 198,5 milhões, e o segmento de móveis e eletrodomésticos completa o levantamento com R$ 80,2 milhões previstos.
Por que a febre por TV não decolou desta vez
A busca por Smart TVs em lojas on-line cresceu 8,4% em maio ante abril, segundo levantamento da CNC com base no Google Trends. Mesmo assim, o interesse está 15,6% abaixo do registrado antes do último Mundial, e bem distante dos picos observados nas edições de 2014 e 2018.
O preço médio dos televisores caiu 18,9% entre a Copa de 2022 e a de 2026, conforme dados do IPCA-15, apurado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Apesar disso, o barateamento não foi suficiente para estimular uma onda de compras ou de troca de aparelhos.
A CNC explica que o crédito mais caro travou o movimento. Em vez de financiar um televisor novo, o consumidor prefere gastar no que cabe no bolso à vista: a cerveja gelada, o pacote de salgadinho e a camisa do Brasil.
Copa começa em 11 de junho nos EUA, Canadá e México
A Copa do Mundo de 2026 será realizada nos EUA, Canadá e México, com início marcado para o dia 11 de junho. A presença do torneio no continente americano reduz a diferença de fuso horário em relação ao Brasil, o que deve favorecer o consumo em tempo real nos lares brasileiros durante os jogos.
O aquecimento do varejo, portanto, não deve se concentrar apenas nas vésperas do torneio. Com jogos em horários mais acessíveis para o público nacional, supermercados e estabelecimentos de alimentação têm potencial para manter o ritmo elevado ao longo de toda a competição.
De acordo com a InfoMoney, que primeiro noticiou os dados da CNC, as projeções foram elaboradas com base em indicadores de comportamento de consumo e tendências de busca monitoradas pela entidade.






