O comércio varejista brasileiro apresentou em maio seu desempenho mais fraco para o período desde 2021, segundo dados divulgados pela Cielo. O resultado reforça os sinais de desaceleração do consumo das famílias em meio ao cenário de juros elevados, inflação persistente em alguns segmentos e maior cautela dos consumidores na hora de comprar.
De acordo com o Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA), que acompanha as vendas realizadas por mais de um milhão de estabelecimentos credenciados à companhia, o crescimento real das vendas em maio foi limitado, refletindo uma perda de ritmo da atividade comercial quando comparada aos anos anteriores. O indicador considera o desempenho de 18 setores do varejo e desconta os efeitos da inflação para medir a evolução efetiva do consumo.
A leitura de maio evidencia um ambiente mais desafiador para o varejo nacional. Embora alguns segmentos tenham registrado avanço, o desempenho geral foi pressionado pela redução do poder de compra das famílias e pela manutenção do crédito em níveis mais restritivos. Especialistas apontam que a combinação de endividamento elevado e taxas de juros ainda altas continua limitando a expansão do consumo.
Entre os destaques positivos do período esteve o setor de serviços ligados ao turismo e transporte, beneficiado pela queda nos preços das passagens aéreas. Drogarias e farmácias também contribuíram para sustentar parte das vendas após o reajuste dos medicamentos realizado no fim de março. Ainda assim, esses avanços não foram suficientes para impulsionar um crescimento mais robusto do varejo como um todo.
Segundo Carlos Alves, vice-presidente de Tecnologia e Negócios da Cielo, fatores pontuais ajudaram a evitar um resultado ainda mais fraco. Entre eles está o efeito calendário, já que neste ano o feriado de Corpus Christi ocorreu em junho, diferentemente de anos anteriores em que impactou o movimento do comércio em maio.
O desempenho do varejo é acompanhado de perto por investidores e analistas por ser um importante termômetro da atividade econômica brasileira. Um consumo mais fraco pode afetar as projeções de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) nos próximos meses, além de influenciar as expectativas para a política monetária do país.
Apesar do resultado modesto em maio, representantes do setor mantêm a expectativa de uma recuperação gradual ao longo do segundo semestre, especialmente se houver melhora nas condições de crédito e maior estabilidade no cenário econômico. Entretanto, o comportamento do consumidor continuará sendo decisivo para determinar a velocidade dessa retomada.






