O ETF DIGY11, desenvolvido pela OranjeBTC, estreou na B3 nesta última terça-feira (15), com uma proposta voltada à geração de renda mensal em reais a partir de ações preferenciais emitidas por empresas ligadas ao ecossistema Bitcoin. O produto busca oferecer aos investidores brasileiros exposição indireta ao mercado de criptomoedas por meio de instrumentos de renda variável negociados no exterior.
O fundo acompanha o índice MarketVector Bitcoin Treasury Preferred Equity BRL Hedged Index, desenvolvido pela OranjeBTC em parceria com a MarketVector, empresa do grupo VanEck. A carteira inicial é composta por papéis preferenciais da Strategy, por meio do ativo STRC, e da Strive, representado pelo SATA, companhias que mantêm volumes relevantes de Bitcoin em seus balanços.
Diferentemente dos ETFs tradicionais que acompanham diretamente a cotação do Bitcoin, o DIGY11 não investe na criptomoeda. A estratégia está concentrada em ações preferenciais perpétuas, estruturadas para realizar distribuições recorrentes em dólar. Os rendimentos recebidos no exterior são convertidos para reais e distribuídos mensalmente aos cotistas, conforme as regras e condições do fundo.
A estruturação do produto conta com o Itaú BBA como responsável pela estruturação e distribuição, gestão da 3R Investimentos, administração fiduciária do Banco Daycoval e índice de referência fornecido pela MarketVector. A estreia foi marcada por uma cerimônia na sede da B3, em São Paulo.
Segundo a OranjeBTC, a metodologia do índice prioriza empresas com forte exposição ao Bitcoin, liquidez, balanços robustos e capacidade de manter pagamentos recorrentes. Entre os critérios de elegibilidade estão a exigência de que mais de 50% dos ativos do emissor estejam relacionados ao Bitcoin e que a companhia possua pelo menos 4 mil unidades da criptomoeda em tesouraria.
O produto também conta com proteção cambial, conhecida como hedge, desenhada para reduzir o impacto das oscilações do dólar sobre o investimento. Dessa forma, as cotas são negociadas em reais na B3, enquanto a carteira permanece vinculada a instrumentos internacionais.
A proposta comercial do fundo é oferecer uma alternativa de renda recorrente para investidores interessados na economia digital. A gestora estima um potencial de retorno anualizado equivalente a CDI mais 3% a 5%, mas ressalta que se trata de uma projeção ilustrativa, sujeita às condições dos ativos, aos custos de proteção cambial, à composição da carteira e às decisões dos emissores sobre dividendos.
Apesar do foco em distribuição mensal, o DIGY11 é um ETF de renda variável e não possui garantia do Fundo Garantidor de Créditos, o FGC. O investidor está exposto a riscos de mercado, crédito, liquidez e à capacidade das empresas que emitem os papéis de manter os pagamentos previstos.
O desempenho das cotas também pode ser influenciado indiretamente pela volatilidade do Bitcoin, pelas condições de financiamento das companhias e pela percepção de risco em torno das empresas que adotam estratégias de tesouraria em criptomoedas. Assim, o produto não busca replicar a valorização ou a desvalorização do Bitcoin, mas oferecer acesso a uma estrutura financeira associada ao ecossistema do ativo digital.
Com a estreia, o DIGY11 amplia a presença de presença de produtos ligados ao mercado cripto na B3 e introduz no mercado brasileiro uma estratégia que combina ativos internacionais, geração potencial de renda e exposição indireta a empresas que mantêm Bitcoin como parte relevante de suas reservas.






