O Grupo Prime protocolou na terça-feira (16) um pedido de recuperação judicial na Justiça do Paraná com passivo total de R$ 790,2 milhões. A solicitação envolve 11 empresas, entre elas a Prime Agro Produtos Agrícolas, e tramita na 2ª Vara Especializada.
Fundado em 2013, em Toledo (PR), o Grupo Prime atua em 20 Estados, atende cerca de 500 clientes e mantém 263 funcionários.
Além da Prime Agro Produtos Agrícolas, o pedido inclui as empresas Agropecuária Caiana, Juruá Participadora de Bens, Acaia Serviços Administrativos, Agropecuária Alterosa e Agropecuária Candeia. Ao mesmo tempo, o grupo pediu a consolidação processual e substancial das empresas e o reconhecimento de bens considerados essenciais para manter as operações.
Divisão do passivo entre credores
Do passivo total de R$ 790,2 milhões, R$ 397 milhões correspondem a créditos sujeitos à recuperação judicial. Os outros R$ 394 milhões referem-se a créditos extraconcursais. Além disso, a classe quirografária reúne o maior volume da dívida, com R$ 282 milhões distribuídos entre 311 credores.
Já a classe com garantia real soma R$ 106,1 milhões. Por sua vez, os créditos trabalhistas e acidentários totalizam R$ 2 milhões, enquanto as microempresas e empresas de pequeno porte concentram R$ 6,5 milhões.
Principais credores extraconcursais
Entre os credores extraconcursais, o Prime Agro Fundo de Investimento em Direitos Creditórios lidera a lista, com R$ 190 milhões. Em seguida, aparecem o Santander, com R$ 36,8 milhões, e a Caixa Econômica Federal, com R$ 32 milhões.
Na sequência, o BTG Pactual possui R$ 19,9 milhões em créditos, enquanto o Itaú Unibanco concentra R$ 16,4 milhões. A Canal Companhia de Securitização registra R$ 16,3 milhões. Por fim, Bradesco e Insumos Milênio/Terramagna Fiagro completam a relação, com R$ 13,2 milhões e R$ 12,8 milhões, respectivamente.
Crise no agronegócio e endividamento
O Grupo Prime atribuiu a crise ao elevado endividamento financeiro, ao aumento do custo do crédito, à restrição de liquidez e à piora das condições de mercado no agronegócio. A família Montans Braga controla as empresas.
O advogado César Borges, do escritório Arake, Tomazette, Borges & Glicério Advogados, assinou o pedido de recuperação judicial. Agora, a Justiça do Paraná analisará a solicitação para suspender ações e execuções por 180 dias, conforme prevê a legislação de recuperação judicial.






