O investidor brasileiro deveria manter pelo menos 15% da carteira aplicada em ativos internacionais como estratégia de diversificação patrimonial e redução de riscos.
A avaliação foi apresentada durante a Expert XP 2026, no painel “O investidor brasileiro e a nova fronteira global de alocação”.
A recomendação foi feita por Artur Wichmann, CIO da XP Inc., que dividiu o palco com Marina Valentini, estrategista de Mercados Globais do J.P. Morgan, além de executivos da XP especializados em investimentos internacionais.
Percentual varia conforme os objetivos
Segundo Wichmann, a fatia de 15% não representa uma regra fixa, mas um ponto de partida para quem busca maior diversificação geográfica.
“Esse não é um número mágico, mas entendemos que é o mínimo que deve estar diversificado internacionalmente. O número certo é diferente para cada pessoa, dependendo do contexto e do planejamento financeiro”, afirmou.
O executivo explicou que investidores com despesas futuras em moeda estrangeira, como educação dos filhos no exterior ou compra de imóveis fora do Brasil, podem precisar de uma exposição muito maior aos ativos internacionais.
“Se os filhos vão estudar em Harvard ou você vai ter uma casa em Miami, pode fazer sentido ter 50% do patrimônio lá fora. Isso não é aumentar risco, mas diminuir, porque você passa a casar seus ativos com suas despesas”, acrescentou.
Carteira deve ser analisada de forma integrada
Durante o painel, Marcelo Coscarelli, head de International Private Wealth Management da XP, afirmou que o principal desafio para investir no exterior deixou de ser operacional e passou a ser comportamental.
Na avaliação do executivo, muitos investidores ainda analisam os investimentos domésticos e internacionais de forma separada, quando o ideal é considerar todo o patrimônio como uma única carteira.
Coscarelli também destacou a importância da disciplina nos aportes.
“Quando comparamos quem investe todos os meses com quem tenta acertar o momento do câmbio, a disciplina faz diferença. Em um horizonte de 26 anos, o investidor que mantém aportes consistentes pode superar o retorno em cerca de 30%”, disse.
IA reforça importância da diversificação global
Para Marina Valentini, do J.P. Morgan, o atual cenário internacional amplia a relevância da diversificação, especialmente em um momento de expansão dos investimentos ligados à inteligência artificial.
Segundo a estrategista, o dólar continua exercendo um papel importante como instrumento de proteção patrimonial, diversificação e potencial de retorno.
“Hoje, o Brasil é muito mais um consumidor de IA do que um país que participa do desenvolvimento da infraestrutura dessa tecnologia”, afirmou.
A especialista destacou que boa parte das empresas líderes em inteligência artificial está concentrada em mercados internacionais, o que amplia as oportunidades para investidores que mantêm exposição ao exterior.
Expert XP reúne líderes do mercado
O debate fez parte da programação da Expert XP 2026, realizada entre os dias 23 e 25 de julho.
Em sua 16ª edição, o evento reúne representantes dos mercados financeiro, empresarial e político para discutir investimentos, economia, tecnologia, inovação e tendências que devem influenciar os mercados globais nos próximos anos.






