A Apple começou a testar chips de memória fabricados pela chinesa ChangXin Memory Technologies (CXMT) para possível utilização em produtos como iPhones e MacBooks, segundo reportagem do The Wall Street Journal. A movimentação ocorre em meio à escassez global de chips de memória, agravada pelo aumento da demanda provocado pelo avanço da inteligência artificial.
A companhia estaria avaliando principalmente a utilização dos componentes em aparelhos destinados ao mercado chinês. Antes de uma eventual adoção em escala, porém, a Apple ainda precisaria lidar com questões regulatórias e com a capacidade da CXMT de atender às exigências técnicas da fabricante.
A busca por novos fornecedores ocorre em um momento de forte pressão sobre o mercado de memórias. O crescimento dos investimentos em inteligência artificial aumentou a demanda por semicondutores utilizados em servidores e centros de dados, contribuindo para a elevação dos preços e apertando a oferta disponível para fabricantes de eletrônicos.
A CXMT vem ampliando rapidamente sua participação no mercado global de memórias DRAM. Segundo o WSJ, a empresa alcançou cerca de 7% da receita mundial de DRAM no segundo trimestre, apesar das restrições de acesso da China a determinados equipamentos avançados para fabricação de semicondutores.
A possível parceria também possui uma dimensão geopolítica. A CXMT está sujeita a restrições dos Estados Unidos, e Washington monitora de perto a expansão da indústria chinesa de semicondutores. Ao mesmo tempo, as regras norte-americanas permitem que empresas dos EUA adquiram determinados componentes já produzidos, embora existam limitações para o compartilhamento de informações técnicas com fabricantes chineses.
Para a Apple, diversificar a cadeia de fornecimento pode ajudar a reduzir a exposição à escassez e aos preços elevados das memórias. A empresa, entretanto, ainda precisa verificar se os componentes da CXMT atendem às suas necessidades específicas de desempenho, qualidade e disponibilidade.
Analistas avaliam que a aproximação pode representar uma mudança relevante na cadeia global de semicondutores. Se os testes forem bem-sucedidos e houver autorização para a utilização dos chips, a Apple poderá ampliar a participação de fornecedores chineses em determinados produtos, enquanto a CXMT ganharia ainda mais importância no mercado internacional de memórias.






