Wall Street encerrou o pregão desta quinta-feira, 20 de agosto, em forte queda, pressionada pela retomada da alta dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos. O movimento reduziu o apetite dos investidores por ativos de risco e reacendeu preocupações sobre inflação, dívida pública e o custo de financiamento da maior economia do mundo.
O Dow Jones caiu 1,32%, para 52.759 pontos, enquanto o S&P 500 recuou 0,87%, aos 7.641 pontos. Já o Nasdaq, mais concentrado em empresas de tecnologia, perdeu 1,00%, encerrando aos 26.067 pontos. Com isso, os três principais índices registraram sua pior sessão em cerca de três semanas.
No mercado de renda fixa, o rendimento do Treasury de 30 anos avançou para cerca de 5,24%, enquanto a taxa da referência de 10 anos chegou a aproximadamente 4,70%. A alta ocorreu mesmo depois de uma intervenção do Tesouro americano, que anunciou a ampliação das recompras de títulos de longo prazo para tentar estabilizar o mercado. O alívio, porém, acabou sendo temporário.
A volta da pressão sobre os Treasuries aumentou a cautela dos investidores porque juros mais elevados tornam os títulos públicos mais atrativos em relação às ações e elevam o custo de capital das empresas. O impacto tende a ser ainda maior sobre companhias de crescimento, cujos lucros esperados para o futuro passam a valer menos quando as taxas de desconto sobem.
Outro fator de pressão veio do mercado de petróleo. O avanço das cotações, em meio às tensões envolvendo o conflito com o Irã e os riscos para o abastecimento global, reforçou as preocupações de que uma energia mais cara possa manter a inflação elevada por mais tempo. Esse cenário também reduz as expectativas de cortes de juros pelo Federal Reserve.
No setor corporativo, as ações do Walmart despencaram 9,2% após a companhia apresentar vendas trimestrais abaixo das expectativas. O resultado levantou novas dúvidas sobre a força do consumidor americano diante do aumento dos preços dos combustíveis e acabou contaminando outras empresas do varejo, como Costco, Dollar Tree e Albertsons.
A combinação entre juros elevados, petróleo mais caro, preocupações fiscais e resultados corporativos mais fracos manteve os investidores na defensiva. Para o mercado, a capacidade do Tesouro de conter a alta dos rendimentos continuará sendo acompanhada de perto, enquanto novas informações sobre inflação, atividade econômica e política monetária devem definir os próximos movimentos de Wall Street.






