O par cambial EUR/USD, que mede a relação entre o euro e o dólar, pode voltar a testar o nível de 1,17 após a próxima decisão do Federal Reserve, segundo estrategistas do Citi. A avaliação considera a possibilidade de uma reação de “venda após o fato”, caso o mercado interprete a decisão do banco central americano como menos agressiva do que o esperado.
De acordo com o banco, uma eventual realização de lucros sobre posições compradas em dólar poderia favorecer a recuperação da moeda europeia. Nesse cenário, o EUR/USD teria espaço para retornar às máximas registradas durante o verão no Hemisfério Norte, próximas de 1,17.
O Federal Reserve tem sido acompanhado de perto pelos investidores diante das incertezas sobre os próximos passos da política monetária dos Estados Unidos. Embora o mercado avalie diferentes possibilidades para a reunião, uma decisão considerada mais branda, ou acompanhada de sinalizações menos rígidas, poderia pressionar o dólar no curto prazo.
O Citi considera que um cenário de “alta dovish”, expressão usada para descrever uma elevação de juros acompanhada de comunicação mais flexível, poderia provocar uma reação negativa da moeda americana. A interpretação é de que os investidores poderiam aproveitar a decisão para reduzir posições recentes favoráveis ao dólar.
Apesar da perspectiva de curto prazo para o euro, o banco ressalta que fatores geopolíticos e energéticos podem limitar uma eventual queda do dólar. A alta dos preços do petróleo e as tensões no Oriente Médio continuam afetando as expectativas de inflação e os rendimentos dos títulos americanos, o que tende a oferecer suporte à moeda dos Estados Unidos.
Outro ponto destacado pelo Citi é que as taxas de juros reais americanas continuam relativamente atrativas. Essa condição pode impedir uma desvalorização mais acentuada do dólar, mesmo que o EUR/USD registre uma recuperação temporária após a decisão do Fed.
No mercado europeu, o comportamento do euro também dependerá da postura do Banco Central Europeu. A instituição adotou recentemente um tom mais firme diante da persistência da inflação, enquanto o aumento dos custos de energia elevou as expectativas de manutenção de uma política monetária restritiva por mais tempo.
Assim, o Citi diferencia a perspectiva tática, favorável a uma possível recuperação do euro até a região de 1,17, da visão de médio e longo prazo, que permanece mais construtiva para o dólar. Para os estrategistas, a trajetória do par dependerá principalmente da comunicação do Fed, dos dados de inflação dos Estados Unidos e da evolução dos riscos geopolíticos e energéticos.






