Os bancos brasileiros pretendem investir cerca de R$ 3 bilhões em projetos de inteligência artificial (IA), análise de dados (analytics) e big data ao longo de 2026, reforçando a transformação digital do sistema financeiro nacional. A previsão faz parte da Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2026, elaborada pela Deloitte, e demonstra que as instituições financeiras estão acelerando a adoção de tecnologias voltadas à automação, personalização de serviços e prevenção a fraudes.
Os investimentos em IA representam uma parcela relevante do orçamento total destinado à tecnologia pelos bancos neste ano. Segundo o levantamento, o setor financeiro brasileiro deverá aplicar R$ 50,4 bilhões em tecnologia em 2026, um crescimento de aproximadamente 8% em relação ao ano anterior e de 58% na comparação com cinco anos atrás. A expansão reflete a prioridade dada à inovação em um ambiente de crescente digitalização dos serviços bancários.
A pesquisa mostra que a inteligência artificial deixou de ser utilizada apenas em assistentes virtuais e atendimento ao cliente. As instituições financeiras vêm empregando modelos avançados de IA para análise de crédito, detecção de fraudes, monitoramento de operações suspeitas, personalização de produtos financeiros, automação de processos internos e apoio à tomada de decisões. O uso crescente da IA generativa também começa a transformar atividades como desenvolvimento de software, elaboração de documentos e suporte aos funcionários.
Além da inteligência artificial, a cibersegurança continua sendo a principal prioridade tecnológica dos bancos brasileiros. De acordo com a pesquisa, todas as instituições participantes classificaram a proteção de dados e sistemas como um tema de alta ou média relevância, diante do crescimento das transações digitais e do aumento das tentativas de ataques cibernéticos. Computação em nuvem (cloud computing) e análise avançada de dados também aparecem entre as áreas que receberão maiores investimentos nos próximos anos.
O avanço dos investimentos acompanha a consolidação dos canais digitais como principal forma de relacionamento entre bancos e clientes. Atualmente, 83% das transações bancárias no Brasil são realizadas por meios digitais, principalmente por aplicativos de celular e internet banking. O Pix, por sua vez, continua ampliando sua participação como principal meio de pagamento eletrônico do país, exigindo das instituições financeiras investimentos constantes em infraestrutura tecnológica e capacidade de processamento de dados.
Executivos do setor afirmam que o objetivo não é apenas reduzir custos operacionais, mas também aumentar a eficiência, melhorar a experiência do cliente e criar novos modelos de negócios baseados em inteligência artificial. Grandes bancos brasileiros, como Itaú Unibanco, Bradesco, Banco do Brasil, Santander, Caixa Econômica Federal, Nubank e BTG Pactual, já utilizam IA em diferentes áreas e anunciaram a ampliação dessas iniciativas durante o Febraban Tech 2026.
Na avaliação de especialistas, o volume recorde de investimentos confirma que a inteligência artificial se tornou um dos principais pilares estratégicos do sistema financeiro brasileiro. Com a expansão da IA generativa, da computação em nuvem e das ferramentas de análise de dados, os bancos buscam aumentar sua competitividade, aprimorar a gestão de riscos e desenvolver serviços mais personalizados, consolidando o Brasil como um dos mercados mais avançados em inovação bancária na América Latina.






