A Raízen anunciou a conclusão da venda de suas operações de downstream na Argentina para empresas controladas pelo grupo suíço Mercuria Energy Group, encerrando um dos principais desinvestimentos previstos em seu plano de reestruturação financeira. Avaliada em US$ 1,42 bilhão, a transação reforça a estratégia da companhia de simplificar sua estrutura operacional, reduzir o endividamento e concentrar investimentos em mercados considerados prioritários.
O negócio envolve a transferência das atividades de refino, distribuição e comercialização de combustíveis, além da operação de lubrificantes e outros ativos relacionados ao mercado argentino. A operação foi concluída após o cumprimento das condições regulatórias e contratuais necessárias, incluindo aprovações de órgãos de defesa da concorrência. O valor da transação contempla uma parcela em dinheiro recebida no fechamento do negócio e a assunção de dívidas da subsidiária argentina pelos compradores.
Em fato relevante, a Raízen informou que o valor líquido efetivamente recebido ainda poderá sofrer ajustes usuais de fechamento, relacionados a itens como capital de giro e endividamento líquido da operação. Segundo a empresa, os recursos obtidos serão destinados principalmente à gestão de sua estrutura de capital, fortalecendo o caixa e contribuindo para a redução da alavancagem financeira.
A venda das operações argentinas faz parte de um amplo plano de reestruturação iniciado pela companhia ao longo de 2026. Controlada por Cosan e Shell, a Raízen enfrenta um processo de recuperação extrajudicial envolvendo cerca de R$ 65 bilhões em dívidas, aprovado pela maioria dos credores. Além da alienação de ativos considerados não estratégicos, o plano prevê conversão parcial de dívidas em ações, refinanciamento de obrigações financeiras e novos aportes de capital por seus controladores.
Segundo a companhia, o desinvestimento está alinhado à estratégia de otimização do portfólio e de alocação mais disciplinada de recursos. Ao deixar o mercado argentino de combustíveis, a Raízen pretende concentrar seus investimentos em negócios considerados mais rentáveis, como a produção de açúcar, etanol, bioenergia e soluções de energia renovável no Brasil, além de fortalecer sua posição em mercados onde possui maior escala operacional.
Para a Mercuria, uma das maiores tradings independentes de energia do mundo, a aquisição amplia significativamente sua presença na América do Sul. A empresa passa a controlar uma infraestrutura consolidada de refino, distribuição e comercialização de combustíveis na Argentina, expandindo sua atuação para além do comércio internacional de petróleo e derivados.
Na avaliação de analistas, a conclusão da venda representa um passo importante no processo de recuperação financeira da Raízen. Embora o valor da operação seja visto como relevante para reforçar o caixa da companhia, o mercado continuará acompanhando a execução do plano de reestruturação e a capacidade da empresa de reduzir sua alavancagem nos próximos trimestres. O sucesso dessa estratégia será determinante para restabelecer a confiança dos investidores e fortalecer a posição da Raízen no setor de energia.






