O Ibovespa encerrou o pregão desta quinta-feira (10) em forte alta, avançando 1,42%, aos 188.258 pontos, em uma sessão marcada pela atenção dos investidores ao cenário eleitoral brasileiro. No mercado de câmbio, o dólar à vista caiu 0,20%, para R$ 5,1013, mesmo diante de um ambiente externo mais pressionado pela alta do petróleo e pelas preocupações com a inflação global.
A movimentação ocorreu após a divulgação de uma nova pesquisa AtlasIntel/Bloomberg sobre a corrida presidencial. O levantamento mostrou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva com 43% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto o senador Flávio Bolsonaro apareceu com 37,4%. Em uma simulação de segundo turno, os dois ficaram tecnicamente empatados: 46,4% para Flávio e 46,2% para Lula, dentro da margem de erro de um ponto percentual.
O resultado foi acompanhado de perto pelos investidores porque o cenário eleitoral tem influenciado as expectativas em relação à política econômica e às contas públicas. A possibilidade de uma disputa mais equilibrada passou a ser incorporada aos preços de ativos brasileiros, especialmente no câmbio e nos juros futuros, aumentando a sensibilidade do mercado às próximas pesquisas e aos movimentos dos candidatos.
Além do componente político, o desempenho da Bolsa contou com o avanço das ações de grandes empresas. Os bancos tiveram papel importante na alta do índice, enquanto a Petrobras também contribuiu positivamente, beneficiada pela forte valorização do petróleo no mercado internacional. O Brent chegou a superar os US$ 107 por barril, em meio à escalada das tensões no Oriente Médio e aos riscos para o fornecimento global da commodity.
O movimento do Ibovespa ocorreu apesar da cautela predominante no exterior. As bolsas internacionais foram pressionadas pelo aumento do petróleo e pelos receios de que a inflação permaneça elevada por mais tempo, cenário que pode dificultar cortes de juros pelos principais bancos centrais. Nos Estados Unidos, os investidores também analisaram novos dados de inflação e atividade antes da próxima decisão do Federal Reserve.
No câmbio, a trajetória do dólar também refletiu a leitura dos investidores sobre o cenário político doméstico. A moeda chegou a subir durante a manhã, alcançando R$ 5,1472, mas perdeu força posteriormente e terminou o dia em queda. A atuação do Banco Central, com operações no mercado de câmbio, também esteve entre os fatores acompanhados pelos participantes do mercado.
Com menos de um mês para o primeiro turno das eleições, o cenário político tende a permanecer entre os principais fatores de volatilidade dos ativos brasileiros. Para os investidores, novas pesquisas poderão alterar as expectativas sobre o resultado da disputa e, consequentemente, provocar novas movimentações no Ibovespa, no dólar e na curva de juros.
A sessão desta quinta-feira reforçou, portanto, a influência crescente das eleições sobre os mercados. Mesmo diante de um cenário internacional adverso, com petróleo em forte alta e bolsas globais pressionadas, o Ibovespa conseguiu avançar mais de 1%, enquanto o real se valorizou frente ao dólar, mostrando que os investidores continuam ajustando suas posições conforme surgem novas informações sobre a corrida presidencial.






