O dólar encerrou a sessão desta sexta-feira, 18 de setembro, próximo da estabilidade no mercado brasileiro, em um pregão marcado pela ausência de gatilhos fortes para a formação dos preços. O dólar à vista terminou o dia com alta de 0,11%, a R$ 5,1451, acompanhando a perda de força da moeda norte-americana no exterior durante a tarde.
Na semana, a moeda acumulou valorização de 0,39%, enquanto, no acumulado de 2026, ainda registra queda de 6,27% frente ao real. O dólar futuro para outubro, contrato mais negociado na B3, subia 0,36% às 17h05, negociado a R$ 5,1585.
Durante o pregão, os investidores acompanharam uma série de fatores domésticos e externos, mas nenhum deles foi suficiente para provocar uma movimentação mais acentuada no câmbio. No Brasil, o mercado repercutiu uma nova pesquisa Datafolha sobre as eleições presidenciais, enquanto também avaliou os efeitos das recentes decisões de política monetária nos Estados Unidos e no Brasil.
Outro ponto observado foi a atuação do Banco Central. A autoridade monetária realizou pela manhã um leilão de linha de US$ 1 bilhão, operação na qual vende dólares com compromisso de recompra. A medida forneceu liquidez ao mercado em um momento de saída de recursos do país, antes das eleições de outubro.
Segundo os dados mais recentes do Banco Central citados pela Reuters, o Brasil registrou saída líquida de aproximadamente US$ 5,99 bilhões em setembro até o dia 11, sendo cerca de 90% pelo canal financeiro, que inclui movimentações como investimentos em carteira e remessas de lucros. Apesar desse fluxo, a operação do BC não provocou impacto significativo sobre a cotação durante o pregão.
No exterior, o comportamento do dólar também ajudou a limitar as oscilações. A moeda americana manteve ganhos frente a diversas divisas durante parte da manhã, mas perdeu força ao longo da tarde. O índice DXY, que mede o desempenho do dólar contra uma cesta de seis moedas, recuava 0,06%, a 100,190, às 17h08.
O cenário internacional continua sendo influenciado pelas recentes decisões dos principais bancos centrais. O Federal Reserve elevou os juros dos Estados Unidos nesta semana pela primeira vez desde 2023, enquanto o Banco Central brasileiro reduziu a Selic nos últimos dias. A diferença entre as taxas ainda mantém o chamado carry trade como um fator relevante para o mercado cambial brasileiro.
O mercado também acompanha os efeitos da decisão do Banco do Japão, que elevou sua taxa básica para 1,25%, maior nível em décadas. A mudança na política monetária japonesa pode afetar fluxos globais de capital e operações financiadas em iene, adicionando uma variável ao ambiente internacional de juros.
Apesar da estabilidade do dólar, o ambiente doméstico segue marcado por incertezas fiscais e políticas. O comportamento do câmbio nas próximas semanas deverá continuar condicionado à evolução das contas públicas, aos fluxos de capital, às decisões dos bancos centrais e ao cenário eleitoral brasileiro.
A sessão, portanto, terminou sem uma direção clara para o real, com o dólar oscilando pouco mesmo diante de uma agenda relevante de eventos econômicos e políticos. Para os próximos pregões, investidores devem continuar monitorando principalmente o diferencial de juros, o fluxo cambial e as novas informações sobre a economia brasileira e o cenário internacional.






