O Ibovespa encerrou o pregão desta última quinta-feira (29) em queda de 1,06%, aos 169.186,42 pontos, ficando abaixo da marca dos 170 mil pontos pela primeira vez desde agosto. Foi a quarta sessão consecutiva de perdas da Bolsa brasileira, em um movimento marcado pela cautela dos investidores diante das incertezas fiscais e das perspectivas para o próximo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O dólar comercial, por sua vez, subiu 0,89%, encerrando cotado a R$ 5,387, após duas sessões consecutivas de recuo.
A pressão sobre os ativos brasileiros reflete a reação do mercado ao resultado das eleições presidenciais, realizadas no último domingo (25). A reeleição de Lula aumentou a preocupação de parte dos investidores com a trajetória das contas públicas, o controle dos gastos governamentais e a condução da política econômica a partir de 2027. Desde o primeiro pregão após a votação, o mercado vem ajustando posições e reavaliando os riscos associados aos investimentos no país.
Na segunda-feira (26), a Bolsa registrou uma queda expressiva, enquanto o dólar disparou, refletindo a reação inicial ao resultado eleitoral. Embora a moeda norte-americana tenha recuado nas duas sessões seguintes, voltou a ganhar força nesta quinta-feira, chegando a superar R$ 5,41 durante o dia. A recuperação indica que a instabilidade cambial ainda não foi superada e que os investidores continuam buscando proteção diante das incertezas políticas e econômicas.
Um dos principais pontos de atenção é a definição da equipe econômica do próximo governo e a apresentação de medidas para estabilizar a dívida pública. O mercado espera sinais mais concretos sobre a política fiscal, especialmente em relação ao equilíbrio entre despesas e receitas. A ausência de informações detalhadas sobre as prioridades econômicas mantém elevada a percepção de risco e pressiona os juros futuros, que influenciam o custo do crédito e as avaliações das empresas.
O cenário internacional também contribuiu para a cautela. Nos Estados Unidos, investidores acompanharam novos indicadores de crescimento e inflação, além das perspectivas para a trajetória dos juros do Federal Reserve (Fed), o banco central norte-americano. A possibilidade de taxas permanecerem elevadas por mais tempo tende a favorecer ativos considerados mais seguros e pode reduzir a atratividade de mercados emergentes, como o brasileiro.
No mercado acionário, as perdas atingiram diferentes setores, com destaque para empresas mais sensíveis ao custo do crédito e às condições da economia doméstica. As ações da Minerva recuaram 6,92%, enquanto MRV e Direcional caíram 6,70% e 6,16%, respectivamente. Cogna também registrou baixa expressiva, de 5,85%, e Azzas 2154 perdeu 5,60%.
Os resultados corporativos também influenciaram as negociações. Os investidores avaliaram os balanços trimestrais de empresas como Ambev e Bradesco, cujas ações sofreram pressão após a divulgação de resultados e revisões nas recomendações de analistas. O desempenho dos papéis reforçou a seletividade do mercado em um ambiente de maior aversão ao risco.
A queda do Ibovespa para abaixo dos 170 mil pontos representa mais um sinal da correção iniciada após a eleição. A sequência negativa reflete não apenas a reação política, mas também as preocupações com os juros, a situação fiscal e o ambiente internacional. Para os investidores, a combinação desses fatores dificulta a definição de uma tendência clara para os próximos pregões.
A trajetória da Bolsa e do dólar dependerá, em grande medida, das próximas sinalizações do governo eleito sobre a política econômica e da capacidade de apresentar medidas que reduzam as dúvidas em relação às contas públicas. Até que haja maior clareza sobre os rumos do próximo mandato, a expectativa é de continuidade da volatilidade nos mercados brasileiros.






