A China espera que seu comércio de bens e serviços continue crescendo, apesar das incertezas econômicas e dos obstáculos enfrentados no cenário internacional. A avaliação foi divulgada nesta terça-feira (29) pela Administração Estatal de Câmbio (SAFE), no relatório sobre o balanço de pagamentos do primeiro semestre de 2026.
Segundo o órgão, o país também deverá manter o dinamismo dos investimentos internacionais, apoiado pela expansão de suas atividades comerciais e por novas medidas destinadas a facilitar as operações financeiras com o exterior.
A perspectiva positiva ocorre em meio às tensões comerciais com os Estados Unidos, às mudanças nas cadeias globais de abastecimento e à desaceleração de importantes economias. Mesmo diante dessas dificuldades, as autoridades chinesas demonstram confiança na capacidade do país de preservar sua participação no comércio mundial.
Exportações e importações apresentam crescimento expressivo
Os resultados recentes do comércio exterior sustentam as expectativas do governo chinês. Entre janeiro e agosto de 2026, a movimentação comercial do país alcançou 34,78 trilhões de yuans, aproximadamente US$ 5,13 trilhões, representando um crescimento de 17,6% em relação ao mesmo período do ano anterior.
As exportações avançaram 14,6%, totalizando 20,17 trilhões de yuans, enquanto as importações cresceram 22%, alcançando 14,61 trilhões de yuans.
Somente em agosto, o comércio exterior chinês movimentou 4,65 trilhões de yuans, com expansão anual de 19,8%. O resultado marcou o sexto mês consecutivo em que as transações comerciais ultrapassaram a marca de 4 trilhões de yuans.
O crescimento das importações acima das exportações também indica uma ampliação das compras internacionais realizadas pelo país, embora a demanda doméstica ainda apresente sinais de recuperação desigual.
Governo pretende facilitar comércio e investimentos
Para sustentar o crescimento das operações internacionais, a China pretende implementar novas políticas destinadas a reduzir obstáculos comerciais e ampliar o acesso de investidores estrangeiros ao seu mercado financeiro.
Entre as prioridades estão a simplificação de procedimentos relacionados ao comércio exterior, a melhoria dos serviços financeiros internacionais e a ampliação das oportunidades de investimento transfronteiriço.
As autoridades também buscam fortalecer a utilização de instrumentos financeiros que facilitem as operações de empresas chinesas no exterior e de companhias estrangeiras interessadas em atuar no mercado doméstico.
Segundo a SAFE, a continuidade dos fluxos comerciais e financeiros será importante para preservar a estabilidade do balanço de pagamentos e apoiar o crescimento econômico nos próximos meses.
Relação comercial com os Estados Unidos permanece no radar
As perspectivas para o comércio chinês também são influenciadas pelas negociações com os Estados Unidos, um de seus principais parceiros comerciais.
Após uma nova rodada de conversas entre representantes dos dois países, Washington e Pequim chegaram a um entendimento para reduzir tarifas sobre aproximadamente US$ 60 bilhões em mercadorias, divididos igualmente entre produtos americanos e chineses.
O acordo contempla principalmente bens considerados não estratégicos, incluindo determinados produtos agrícolas, artigos domésticos e mercadorias de consumo.
Entretanto, setores como semicondutores e veículos elétricos continuam sujeitos a restrições comerciais. As divergências relacionadas à tecnologia, à segurança econômica e ao acesso a determinados mercados permanecem entre os principais desafios das relações bilaterais.
A redução parcial das tarifas poderá facilitar algumas operações comerciais, mas seus efeitos dependerão da implementação das medidas e da continuidade das negociações entre os dois governos.
Demanda interna ainda representa um desafio
Apesar do desempenho positivo do comércio exterior, a economia chinesa enfrenta dificuldades relacionadas ao consumo doméstico e aos investimentos.
A crise prolongada do setor imobiliário continua afetando a confiança dos consumidores e das empresas, enquanto a recuperação da atividade industrial ocorre de maneira desigual.
O governo chinês tem sinalizado a intenção de ampliar o apoio à economia por meio de políticas fiscais e medidas de estímulo ao crédito, buscando fortalecer o emprego, a renda e o mercado imobiliário.
Nesse contexto, a expansão das exportações e dos investimentos internacionais permanece como um componente importante para sustentar a atividade econômica.
A expectativa das autoridades é que a diversificação dos parceiros comerciais, a modernização da indústria e a ampliação da abertura financeira ajudem o país a enfrentar os obstáculos externos.
Embora os indicadores recentes apontem crescimento expressivo das transações internacionais, a continuidade desse desempenho dependerá da demanda global, das condições financeiras e dos próximos desdobramentos das relações comerciais entre as principais economias.





