O principal ponto dessa notícia é a entrada do Bradesco no mercado regulado de ativos digitais. O banco já havia anunciado, em agosto de 2026, uma plataforma de custódia institucional voltada a moedas digitais, stablecoins e ativos tokenizados. A novidade precisa ser diferenciada de uma autorização concedida pelo Banco Central: pelas regras brasileiras, bancos autorizados a funcionar pelo BC podem prestar determinados serviços de intermediação e custódia de ativos virtuais, desde que cumpram as exigências regulatórias.
O Bradesco avançou no processo de adequação às novas regras do mercado brasileiro de criptomoedas e ativos digitais ao formalizar sua atuação junto ao Banco Central (BC). O movimento ocorre às vésperas do encerramento do prazo regulatório para empresas que já operam nesse segmento e precisam se enquadrar nas exigências da autoridade monetária. A iniciativa faz parte de uma transformação mais ampla do setor financeiro, que passa a contar com regras específicas para a prestação de serviços envolvendo ativos virtuais.
A movimentação do banco está relacionada à expansão de sua infraestrutura para ativos digitais. Em agosto de 2026, o Bradesco anunciou o lançamento de uma plataforma de custódia institucional voltada à guarda e à gestão de criptomoedas, stablecoins e outros ativos tokenizados. A solução foi desenvolvida para atender participantes do mercado financeiro, gestoras de recursos, fundos de investimento e tesourarias corporativas.
A Foxbit foi anunciada como a primeira cliente da plataforma. A parceria aproxima o banco tradicional do mercado de criptoativos e amplia a oferta de infraestrutura para empresas que precisam armazenar e administrar esses ativos em um ambiente com controles de segurança e conformidade.
Entre os recursos da plataforma estão o monitoramento contínuo de transações e carteiras, os mecanismos de governança, os controles operacionais e os registros de auditoria. Esses procedimentos são importantes para instituições que atuam em um mercado sujeito a riscos tecnológicos, operacionais e financeiros.
A adequação às normas do Banco Central ganha relevância com a entrada em vigor do novo marco regulatório para prestadores de serviços de ativos virtuais. As Resoluções BCB nº 519, 520 e 521 estabeleceram regras para autorização, funcionamento e supervisão das empresas do setor, além de disciplinar determinadas operações com ativos virtuais relacionadas ao mercado de câmbio e aos capitais internacionais.
As exigências abrangem aspectos como governança, segurança, controles internos, transparência nas relações com clientes e prevenção à lavagem de dinheiro. O objetivo é ampliar a supervisão sobre o setor e estabelecer padrões mais claros para empresas que intermediam operações ou mantêm a custódia de ativos digitais.
A regulamentação também diferencia as empresas criadas especificamente para prestar serviços com ativos virtuais das instituições financeiras que já possuem autorização para funcionar. A Resolução BCB nº 520 prevê que determinados bancos autorizados pelo BC podem oferecer serviços de intermediação e custódia de ativos virtuais, desde que respeitem as condições estabelecidas pela norma.
O avanço regulatório acontece em um momento de maior participação de instituições tradicionais no mercado de ativos digitais. Bancos e operadores do mercado de capitais buscam ampliar sua presença em serviços ligados à custódia, à tokenização e à infraestrutura de transações digitais, acompanhando a demanda de investidores institucionais.
Apesar do avanço na regularização, a formalização da atuação não deve ser confundida automaticamente com uma autorização definitiva para qualquer atividade envolvendo criptoativos. O alcance da atuação permitida depende do enquadramento regulatório da instituição e do cumprimento das exigências aplicáveis. O processo também integra um esforço para restringir operações com prestadores que não estejam devidamente autorizados ou em processo de autorização, conforme as regras vigentes.
Para o Bradesco, a iniciativa representa mais um passo na diversificação de seus serviços e na adaptação do negócio às mudanças do sistema financeiro. A evolução da regulamentação poderá influenciar a forma como bancos, corretoras e outras empresas oferecem serviços relacionados a criptomoedas e ativos tokenizados no Brasil.






