As ações da Puma dispararam nesta última sexta-feira (30) após a fabricante alemã de artigos esportivos divulgar resultados trimestrais melhores do que o esperado pelo mercado e apresentar avanços na redução de seus estoques. A reação positiva dos investidores também foi impulsionada pela expectativa de que a parceria com a chinesa Anta Sports ajude a recuperar o desempenho da marca, especialmente no mercado asiático.
Os papéis da companhia chegaram a subir cerca de 8% durante o pregão europeu, encaminhando-se para o melhor desempenho diário desde fevereiro. Embora a Puma continue enfrentando dificuldades com a demanda em mercados importantes, os números indicaram progresso na reorganização de suas operações e na gestão dos estoques.
No terceiro trimestre de 2026, as vendas da empresa somaram 1,776 bilhão de euros, queda de 5% na comparação anual. Considerando os efeitos cambiais, a retração foi de 6,3%. Apesar do recuo, a receita superou a expectativa média dos analistas, que projetavam aproximadamente 1,75 bilhão de euros.
O principal destaque foi a redução dos estoques. O volume de produtos armazenados caiu 24,3% em relação ao mesmo período do ano anterior, para 1,609 bilhão de euros. A diminuição ocorreu principalmente em razão do menor volume de compras e faz parte da estratégia da Puma para ajustar a oferta à demanda, reduzir custos e evitar o acúmulo de mercadorias.
A evolução foi bem recebida pelo mercado porque a empresa vinha enfrentando estoques elevados tanto em suas próprias operações quanto entre os varejistas parceiros. A necessidade de escoar produtos acumulados pode pressionar as margens, especialmente quando exige descontos e promoções para estimular as vendas. Com o ajuste mais avançado do que o previsto, investidores passaram a enxergar melhores condições para a normalização do negócio.
A melhora na gestão do capital de giro também apareceu no fluxo de caixa livre. A Puma registrou geração positiva de 92 milhões de euros no terceiro trimestre, ante um resultado negativo de 43 milhões de euros no mesmo intervalo de 2025. O desempenho foi favorecido pela redução do capital de giro, por menores pagamentos de impostos e pela diminuição dos investimentos em bens de capital.
A margem bruta avançou aproximadamente 4,2 pontos percentuais, alcançando 49,5%. A melhora foi sustentada por custos de aquisição mais baixos, efeitos cambiais favoráveis, mudanças no mix de canais de venda e reembolsos tarifários. Entretanto, despesas operacionais mais elevadas e a queda da receita limitaram os ganhos.
O resultado operacional, medido pelo EBIT, ficou negativo em 11,4 milhões de euros. O indicador inclui efeitos positivos de 29,8 milhões de euros relacionados a reembolsos tarifários e despesas extraordinárias de 11,7 milhões de euros associadas ao programa de eficiência da companhia. Excluindo os efeitos pontuais, o EBIT ficou próximo do equilíbrio, em 400 mil euros, abaixo dos 26,3 milhões de euros registrados um ano antes.
Diante dos resultados, a Puma revisou sua projeção para o resultado operacional de 2026. A empresa passou a estimar um prejuízo operacional entre 80 milhões e 130 milhões de euros, reduzindo o intervalo anterior, que variava de uma perda de 50 milhões a 150 milhões de euros. A expectativa de queda das vendas ajustadas por câmbio, entre um dígito baixo e médio, foi mantida.
A companhia também reduziu a previsão de investimentos de capital para menos de 150 milhões de euros, ante a estimativa anterior de aproximadamente 200 milhões. A decisão faz parte dos esforços para preservar recursos financeiros durante o período de reorganização.
Apesar dos sinais de melhora, a demanda continua sendo um desafio. As vendas na região da Europa, Oriente Médio e África recuaram 11,5% em moeda constante, enquanto as Américas registraram queda de 8,1%. Na América do Norte, a retração chegou a 17,2%, refletindo um ambiente de consumo mais fraco e a redução de negócios considerados pouco rentáveis com grandes varejistas.
Em contrapartida, a região da Ásia-Pacífico apresentou crescimento de 10% em moeda constante. O desempenho foi apoiado pela procura por modelos de tênis de perfil baixo, especialmente a linha Speedcat, e pelo avanço das vendas digitais. Na China, as vendas cresceram 3,5%, impulsionadas principalmente pelo canal direto ao consumidor, embora os pedidos de parceiros atacadistas tenham permanecido mais cautelosos.
É nesse contexto que a aproximação com a Anta Sports ganha importância. A empresa chinesa concluiu em outubro a aquisição de uma participação de aproximadamente 29,06% na Puma, por cerca de 1,5 bilhão de euros, tornando-se sua maior acionista. A operação representa uma mudança relevante na estrutura acionária da fabricante alemã e abre espaço para uma colaboração comercial mais estreita.
A expectativa é que a parceria ajude a Puma a fortalecer sua presença na China, ampliar a distribuição e compreender melhor as preferências dos consumidores locais. A Anta possui experiência consolidada no mercado esportivo chinês, o que pode oferecer à companhia alemã oportunidades de crescimento em uma região na qual a demanda apresenta sinais mais favoráveis do que em outros mercados.
O presidente-executivo da Puma, Arthur Hoeld, afirmou que as empresas estão trabalhando para definir o modelo operacional futuro na China. A colaboração é vista como uma oportunidade estratégica, mas seus efeitos ainda dependerão da execução dos planos comerciais e da recuperação dos pedidos dos varejistas.
Para os investidores, a combinação de estoques menores, geração positiva de caixa e uma perspectiva mais delimitada para o prejuízo operacional representa um avanço no processo de recuperação da Puma. Ainda assim, a queda das vendas e a pressão sobre o resultado operacional mostram que a reestruturação não está concluída. O mercado deverá acompanhar se a empresa conseguirá transformar os ajustes financeiros em crescimento sustentável da receita e rentabilidade nos próximos trimestres.






