“Quero falar sobre a cara do Nordeste sustentável”, disse o presidente do Banco do Nordeste (BNB), Paulo Câmara, ao abrir o Fórum de Sustentabilidade da Região Nordeste, que aconteceu ontem, no Hotel Gran Marquise, em Fortaleza. O evento, conduzido por Emília Albuquerque, presidente do Grupo de Líderes Empresariais do Ceará (Lide Ceará), reuniu representantes de destaque do cenário econômico nordestino, em um dia inteiro de debates sobre os desafios e oportunidades para o desenvolvimento socioeconômico sustentável da região.
O meio ambiente tem amplo impacto no desenvolvimento mundial e ganha complexidades particulares à região Nordeste. Nos próximos 10 anos, dos 10 grandes riscos para a economia global, cinco são de natureza ambiental, e os quatro principais fatores integram essa mesma agenda, segundo dados apresentados pelo BNB.
São eles: eventos climáticos extremos; alterações críticas nos sistemas da Terra; perda de biodiversidade e colapso dos ecossistemas; escassez de recursos naturais; desinformação e informação falsa; resultados adversos das tecnologias de Inteligência Artificial; migração involuntária; cibersegurança; polarização social; e por fim, poluição.
No Nordeste, os principais riscos ambientais são: erosão costeira; infraestrutura urbana insuficiente; desmatamento da Caatinga; saneamento básico; avanço de desertificação; desmatamento do cerrado; seca e escassez hídrica; perda de biodiversidade; e cidades vulneráveis.
Dimensão social
Além disso, a dimensão social foi destacada como prioritária por Paulo Câmara. “Não interessa ao BNB apenas o crescimento econômico, se isso não vier junto com um crescimento social e diminuição de desigualdades, ao mesmo tempo, com proteção ambiental. O que a gente quer é um Nordeste pujante, crescendo e com boas práticas de sustentabilidade”, reforçou.
Segundo o presidente do BNB, o Nordeste tem crescido mais do que o Brasil, e deverá manter essa trajetória nos próximos anos, devido ao incremento em inovação e produção. “Os avanços econômicos devem ocorrer com a disseminação da inovação e aumento de produtividade. Logo, o aumento da produtividade é o caminho”, enfatizou.
Câmara também apontou que a expectativa é que o PIB per capita do Nordeste alcance crescimento nominal superior a 50% até 2030. Dentre as oportunidades encontradas na Região, o BNB destacou: bioeconomia e sistemas agroalimentares; transição energética; economia circular; economia de baixo carbono; nova indústria e turismo sustentável.“Os desafios são grandes, mas as oportunidades são maiores ainda”, destacou.
Grandes holdings
Além da palestra de abertura conduzida pelo presidente do BNB, o evento contou com a participação de líderes de grandes holdings nordestinas: Beto Studart, presidente do Grupo BSPAR, que alcançou a certificação internacional LEED Gold no empreendimento BS Design; Lauro Fiúza Jr., presidente do conselho do Grupo Servtec, a primeira e maior referência do Ceará em energias renováveis; e Carlos Rotella, que lidera o Grupo Edson Queiroz (GEQ) sob a ótica do ESG (Environmental, Social and Governance, na sigla em inglês).
“A ideia do fórum foi trazer o Banco do Nordeste, que é a instituição de fomento e financiamento mais importante da região e que está cada vez mais olhando para as empresas mais sustentáveis. Além disso, também trouxemos três cases de sustentabilidade que são referência em nosso estado, e fechamos o tema com uma temática ainda pouco conhecida, mas que cedo ou tarde todos precisarão compreender, que é a descarbonização e o mercado de crédito de carbono, sendo apresentada pelo especialista em Green e Blue Economies da Grant Thornton, João Silvério”, pontuou Emília Buarque, presidente do Lide Ceará.
O encerramento do evento foi conduzido por João Silvério, com a palestra “O mercado de crédito de carbono: oportunidades e responsabilidades das empresas brasileiras”. Especialista em economia verde, Silvério é sócio-presidente da Grant Thornton Brasil, firma-membro da Grant Thornton Internacional, uma das maiores empresas globais de auditoria, consultoria e tributos, presente em mais de 149 países. “O crédito de carbono é uma moeda criada lá no Protocolo de Kyoto, com o objetivo de descarbonizar o mundo e combater as mudanças climáticas. Então, essa é a moeda: carbono equivalente. Nós nos comprometemos em reduzir cerca de 40% até 2025, e 53% até 2030. Em 2005, nós tínhamos 2,4 giga-toneladas de carbono equivalente. E em 2022, chegamos a 1,7. Estamos perto da meta, que é de 1,4, mas ainda não devemos chegar em 2025”, arrematou.






