A fabricante taiwanesa de eletrônicos Wistron, uma das principais fornecedoras da Nvidia, concluiu uma oferta global de ações no valor de aproximadamente US$ 1,47 bilhão (cerca de US$ 1,5 bilhão). Os recursos serão destinados principalmente à compra de matérias-primas em moedas estrangeiras, atendendo ao forte crescimento da demanda por servidores voltados à inteligência artificial (IA).
A companhia precificou a emissão de 25 milhões de Global Depositary Receipts (GDRs) a US$ 58,88 por recibo, valor próximo ao piso da faixa inicialmente proposta. Cada GDR representa dez ações ordinárias da empresa, totalizando a emissão de 250 milhões de novas ações, o que resultará em uma diluição de aproximadamente 7,3% para os atuais acionistas.
Segundo a Wistron, os recursos obtidos serão utilizados para financiar a aquisição de componentes e matérias-primas necessárias à expansão de sua capacidade produtiva. A empresa vem ampliando investimentos para atender à crescente demanda por equipamentos de infraestrutura de IA, especialmente servidores equipados com chips da Nvidia destinados a grandes provedores de computação em nuvem e empresas de tecnologia.
O movimento ocorre em um momento de forte expansão da companhia. No segundo trimestre de 2026, a Wistron registrou um aumento de 128% no lucro líquido em relação ao mesmo período do ano anterior, enquanto sua receita cresceu 64%, impulsionada pelo segmento de servidores para inteligência artificial. A empresa afirmou que a demanda continua superior à capacidade de oferta, o que justifica os investimentos para ampliar sua produção.
Entre os principais projetos da fabricante está a inauguração, em julho, de uma fábrica de aproximadamente US$ 700 milhões no estado do Texas, nos Estados Unidos. A unidade será dedicada à produção de sistemas avançados de IA da Nvidia e faz parte da estratégia da companhia de diversificar sua base industrial e aproximar a produção de clientes norte-americanos.
A captação da Wistron também reflete uma tendência entre fabricantes taiwaneses de tecnologia, que têm recorrido aos mercados internacionais para financiar a expansão da cadeia de suprimentos voltada à inteligência artificial. O aumento dos investimentos globais em data centers, computação de alto desempenho e infraestrutura de IA tem impulsionado a necessidade de novas fábricas, equipamentos e estoques de componentes eletrônicos.
Na avaliação de analistas, a oferta reforça a posição da Wistron como uma das principais beneficiárias do ciclo de investimentos em inteligência artificial. Embora a emissão resulte em diluição para os acionistas atuais, o mercado considera que o reforço de capital permitirá à empresa ampliar sua capacidade produtiva e atender à demanda crescente por servidores de IA, consolidando sua posição na cadeia global de fornecimento de tecnologia.






