Os Estados Unidos continuaram os ataques contra as forças navais iranianas, incluindo bombardeios a um navio porta-contêineres convertido em porta-aviões de drones e ataques generalizados a bases navais ao longo da costa do Golfo Pérsico desde o início das ofensivas no sábado, segundo autoridades americanas e informações de fontes abertas.
A destruição da Marinha do Irã e da Marinha do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGCN, na sigla em inglês) é uma prioridade da operação em curso, chamada Operation Epic Fury, afirmaram autoridades do Pentágono desde o começo da ação. Locais de mísseis antinavio, navios de guerra e submarinos iranianos estiveram entre os alvos priorizados nas primeiras 48 horas da operação, de acordo com uma lista divulgada na segunda-feira pelo Comando Central dos EUA (CENTCOM).
“Os primeiros meios de ataque [dos EUA] no mar foram mísseis Tomahawk lançados pela Marinha dos Estados Unidos, que avançaram contra as forças navais iranianas e começaram a realizar ataques ao longo do flanco sul do Irã”, disse o presidente do Estado-Maior Conjunto, general Dan Caine, a repórteres na segunda-feira, no Pentágono.
As forças navais iranianas são divididas em dois grupos principais: a Marinha do Irã e a Marinha do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGCN). A Marinha regular opera os grandes navios de superfície e submarinos de Teerã como parte de uma força de atuação em águas profundas (blue water). Já a IRGC é responsável principalmente pela defesa costeira e pela segurança no Estreito de Ormuz, utilizando sobretudo uma frota de pequenas embarcações de ataque e navios equipados com mísseis.
Apesar dos ataques contra ativos navais importantes — tanto da marinha regular quanto da força da Guarda Revolucionária — o comandante da IRGC declarou na segunda-feira que as forças do país fariam cumprir o fechamento do Estreito de Ormuz, ameaçando abrir fogo contra qualquer embarcação que tentasse transitar pela estratégica via marítima, crucial para o fluxo mundial de gás natural e petróleo. Ao longo das últimas décadas, o Irã construiu um vasto estoque de minas navais projetadas para bloquear o escoamento de petróleo bruto dos Estados do Golfo para exportação.
Imagens de satélite revelaram a extensão dos ataques nas principais bases navais iranianas no Golfo Pérsico, em Konarak e Bandar Abbas. Registros das instalações feitos pelas empresas Vantor e Planet mostram múltiplos incêndios, embarcações afundadas e edifícios destruídos.
Entre os navios atingidos e afundados estão várias fragatas das classes Bayandor, Alvand e Jamaran. O navio porta-drones IRIS Shahid Bagheri (C110-4), um porta-contêineres convertido, foi atacado pelas forças americanas enquanto estava atracado em Bandar Abbas nas primeiras horas da Operação Epic Fury, segundo publicação do CENTCOM. Fotos de satélite também mostram o navio de apoio avançado iraniano IRIS Makran (441) atingido enquanto estava no píer, também em Bandar Abbas.
“O único porta-aviões que foi atingido é o Shahid Bagheri, um porta-drones iraniano”, afirma um comunicado do CENTCOM, refutando alegações da mídia estatal iraniana de que um ataque bem-sucedido com míssil balístico teria atingido o porta-aviões americano USS Abraham Lincoln (CVN-72).
De acordo com o CENTCOM, a presença naval iraniana no Golfo de Omã foi neutralizada. O comando afirmou que nenhum dos 11 navios de guerra posicionados a leste do Estreito de Ormuz antes do início das hostilidades permaneceu na área nas primeiras 48 horas da Operação Epic Fury. Nas semanas que antecederam o conflito atual, forças navais iranianas realizaram exercícios conjuntos com navios de guerra chineses e russos no exercício Marine Security Belt 2025, próximo a Chabahar — local que também foi atingido por forças americanas.
O comando dos EUA também declarou que os ataques miraram a frota iraniana de pequenos submarinos, composta por numerosos submarinos de pequeno porte (midget submarines) e algumas unidades de ataque da classe russa Kilo. Ainda não está claro o grau de impacto dos ataques na capacidade submarina de Teerã, mas várias embarcações estavam presentes em Bandar Abbas após um dos bombardeios, segundo imagens de satélite.
O Irã tem destacado essa força naval assimétrica — formada por mísseis, submarinos de pequeno porte, minas navais e baterias de mísseis antinavio — ao ameaçar fechar o Estreito de Ormuz em anos anteriores. As forças navais americanas na região têm se preparado para enfrentar essas ameaças de “enxame”, incluindo helicópteros Seahawk armados com mísseis Hellfire a bordo do USS Abraham Lincoln. Navios de combate litorâneo posicionados à frente na 5ª Frota dos EUA também têm potencial para operar com um pacote de missão de guerra de superfície projetado para derrotar ataques de pequenas embarcações e drones.






