As taxas dos contratos de Depósitos Interfinanceiros (DIs) encerraram o pregão desta sessão em alta, devolvendo parte dos ganhos observados no dia anterior. O movimento foi impulsionado por uma combinação de fatores domésticos e externos, com destaque para as expectativas em torno da trajetória da Selic e o aumento da aversão ao risco provocado pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio.
Segundo análise do mercado acompanhada pelo Money Times, os juros futuros reagiram ao reposicionamento dos investidores após uma sessão de alívio, em meio à reavaliação das apostas sobre quando o Banco Central poderá iniciar cortes mais consistentes na taxa básica de juros.
No cenário interno, o mercado segue atento às sinalizações da política monetária e aos dados de inflação, que continuam sendo determinantes para as expectativas em relação à Selic. Apesar da recente desaceleração de alguns indicadores, ainda há cautela entre agentes financeiros quanto à velocidade e ao tamanho de possíveis cortes de juros ao longo dos próximos meses.
Esse ambiente de incerteza contribui para a oscilação das taxas futuras, especialmente nos vértices intermediários e longos da curva, que tendem a reagir mais fortemente às projeções de inflação e crescimento econômico. A recomposição de posições após ganhos recentes também ajudou a pressionar os DIs nesta sessão.
No cenário externo, as tensões no Oriente Médio voltaram a influenciar os mercados globais, aumentando a busca por proteção e reduzindo temporariamente o apetite ao risco. A instabilidade geopolítica tende a impactar não apenas o preço do petróleo, mas também o comportamento dos ativos de países emergentes, como o Brasil, o que se reflete diretamente na curva de juros.
A alta do petróleo em momentos de conflito também reacende preocupações com possíveis pressões inflacionárias globais, o que pode dificultar a flexibilização monetária em economias desenvolvidas. Esse fator adiciona mais volatilidade às taxas futuras, que passam a incorporar cenários alternativos de inflação mais persistente.
Analistas destacam que o comportamento recente dos DIs reflete um mercado ainda sensível e altamente dependente de dados e eventos geopolíticos. A ausência de um direcionamento claro da política monetária global, somada às incertezas fiscais e inflacionárias no Brasil, mantém os juros futuros em um ambiente de forte oscilação.
Para os próximos pregões, investidores devem continuar monitorando de perto as falas de autoridades do Banco Central, os indicadores de inflação e o desenrolar do cenário no Oriente Médio, fatores que seguem sendo determinantes para a formação da curva de juros no país.






