A Azul Linhas Aéreas anunciou nesta quarta-feira (14) um lucro líquido de R$ 783,1 milhões no primeiro trimestre de 2025, revertendo o prejuízo de R$ 1,1 bilhão registrado no mesmo período do ano anterior. No entanto, ao considerar ajustes contábeis, a companhia apresentou um prejuízo líquido ajustado de R$ 1,8 bilhão, superior aos R$ 324,2 milhões negativos de 2024.
A receita líquida da Azul alcançou R$ 5,394 bilhões entre janeiro e março, um recorde para o primeiro trimestre e um aumento de 15,3% em relação ao ano anterior. Esse crescimento foi impulsionado por uma demanda sólida, receitas auxiliares robustas e o desempenho positivo das unidades de negócios além do transporte aéreo tradicional.
A receita proveniente do transporte de passageiros aumentou 15,2%, totalizando R$ 5 bilhões, enquanto a receita de cargas e outras fontes cresceu 17,3%, atingindo R$ 377 milhões.
Apesar do aumento na receita, o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da Azul caiu 2,1% em comparação ao primeiro trimestre de 2024, totalizando R$ 1,385 bilhão. A margem Ebitda recuou 4,6 pontos percentuais, ficando em 25,7%. Essa queda foi atribuída à desvalorização do real frente ao dólar, à inflação e ao aumento nos preços dos combustíveis.
O CEO da Azul, John Rodgerson, destacou que a operação no trimestre foi severamente impactada por fatores macroeconômicos. O custo operacional por assento disponível por quilômetro (CASK) aumentou 8%, refletindo a desvalorização média de 18% do real em relação ao dólar, uma inflação de 5,5% nos últimos 12 meses e um aumento de 3% nos preços dos combustíveis. Além disso, as despesas de depreciação e amortização cresceram 33%, impulsionadas pelo aumento da frota em comparação ao primeiro trimestre de 2024.
Para mitigar esses impactos, a Azul implementou iniciativas de redução de custos e melhorias de produtividade. A produtividade, medida em assentos-quilômetro oferecidos (ASK) por força de trabalho equivalente (FTE), aumentou 19% na comparação anual. Investimentos em aeronaves de última geração também contribuíram para melhorar a eficiência de combustível, com o consumo por ASK caindo 2,5% em comparação ao mesmo período do ano passado.
Rodgerson afirmou que a Azul permanece focada em estimular a demanda em mercados que nunca foram atendidos antes. Ele observou que os dois principais concorrentes da aérea concentram operações principalmente em três cidades no Brasil, resultando em alta sobreposição entre eles.
O desempenho da Azul no primeiro trimestre de 2025 reflete os desafios enfrentados pela companhia em um ambiente macroeconômico volátil, marcado por flutuações cambiais e pressões sobre os custos operacionais. Ainda assim, a empresa demonstra resiliência e continua implementando estratégias para fortalecer sua posição financeira e operacional no setor aéreo brasileiro.






