O Ibovespa encerrou o pregão desta última quarta-feira (23) em queda de 0,79%, aos 185.940,96 pontos, após duas sessões consecutivas de alta. O movimento refletiu principalmente a piora do ambiente externo, com avanço dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, alta do petróleo e fortalecimento do dólar. No mercado doméstico, uma nova pesquisa eleitoral também entrou no radar dos investidores.
Durante a sessão, o índice oscilou entre 185.676,38 pontos na mínima e 188.772,33 pontos na máxima, evidenciando a volatilidade do mercado ao longo do dia. O volume financeiro somava R$ 26,18 bilhões antes dos ajustes finais, com os investidores dividindo a atenção entre os fatores internacionais e o cenário político brasileiro.
No exterior, a principal pressão veio dos Treasuries. O rendimento da nota de dez anos dos Estados Unidos chegou a 5,12%, ante 4,967% no fechamento anterior. A elevação dos juros dos títulos americanos tende a aumentar a atratividade relativa dos ativos de renda fixa dos EUA e pode reduzir o apetite por mercados considerados mais arriscados, como os emergentes.
A alta dos rendimentos ocorreu em meio à valorização do petróleo. O Brent chegou a superar US$ 102 por barril, enquanto as perspectivas de uma solução diplomática para o conflito envolvendo Estados Unidos e Irã permaneciam incertas. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que o país não irá se render, aumentando a cautela dos participantes do mercado.
A valorização da commodity também trouxe preocupação com os efeitos sobre a inflação global. Petróleo mais caro pode elevar custos de energia e transporte e dificultar o processo de desinflação, especialmente em um momento no qual investidores avaliam a possibilidade de novas mudanças na política monetária americana.
O dólar acompanhou esse movimento e encerrou o dia com alta de 1,27% ante o real, a R$ 5,1689, maior nível de fechamento desde 31 de agosto. No exterior, o índice DXY, que mede a moeda americana contra uma cesta de seis divisas, avançava 0,54% no fim da tarde.
No cenário doméstico, a pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada pela manhã mostrou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva com 47,7% das intenções de voto em um eventual segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro, que apareceu com 47,4%. Considerando a margem de erro de um ponto percentual, o levantamento apontou empate técnico.
Na pesquisa anterior, Lula tinha 46,8% e Flávio Bolsonaro, 47,2%. A mudança alterou a percepção dos participantes do mercado sobre o chamado “trade eleitoral”, contribuindo para a movimentação do câmbio e dos juros futuros. A pesquisa, porém, não estabelece resultado eleitoral, e os números permanecem dentro da margem de erro.
Os juros futuros também subiram. O contrato de DI para janeiro de 2028 encerrou a sessão a 13,585%, ante 13,485% no ajuste anterior. Para janeiro de 2035, a taxa avançou para 14,035%, de 13,962%. A alta ocorreu em meio à combinação de pressão externa, petróleo mais caro e maior cautela relacionada ao cenário político e fiscal brasileiro.
Entre as ações de maior peso, Petrobras conseguiu avançar, acompanhando a valorização do petróleo. Durante o pregão, as ações preferenciais da estatal chegaram a subir 2,67%, enquanto as ordinárias avançavam 2,71%. O movimento ajudou a limitar a queda do Ibovespa, embora não tenha sido suficiente para impedir o fechamento negativo do índice.
Na direção contrária, Vale recuou 1,4%, enquanto Itaú Unibanco caiu 1,55% durante a sessão. Banco do Brasil também operou em baixa, enquanto Bradesco apresentava valorização. O desempenho desigual entre as ações de maior peso refletiu a combinação de fatores domésticos e externos que marcou o pregão.
Além das questões eleitorais e internacionais, investidores acompanharam a agenda econômica dos próximos dias. Entre os indicadores mais aguardados está o IPCA-15 de setembro, previsto para sexta-feira (25), que poderá fornecer novos sinais sobre a trajetória da inflação brasileira e influenciar as expectativas para a política monetária.
O mercado também permanece atento ao encontro entre os presidentes dos Estados Unidos e da China, Donald Trump e Xi Jinping, previsto para quinta-feira (24), em Washington. As negociações entre as duas maiores economias do mundo podem influenciar mercados globais, especialmente em temas como comércio, tecnologia e inteligência artificial.
Com isso, o pregão desta quarta-feira terminou marcado por uma combinação de pressões externas e incertezas domésticas. A alta dos Treasuries e do petróleo fortaleceu o dólar e pressionou ativos de risco, enquanto a nova pesquisa eleitoral acrescentou volatilidade ao mercado brasileiro. O resultado foi um Ibovespa em queda e uma moeda americana novamente acima de R$ 5,16.






