| Fundo | Dividend yield | P/VP |
| RZAK11 | 16,81% | 0,87x |
| MCRE11 | 16,75% | 0,78x |
| EXES11 | 16,58% | 0,97x |
| RBHG11 | 16,56% | 0,67x |
| RBRY11 | 16,41% | 0,81x |
| ALZC11 | 16,35% | 0,81x |
| ITIP11 | 16,23% | 0,83x |
Um levantamento da Status Invest reúne sete FIIs de papel que combinam dividend yield acima de 16% com P/VP inferior a 1 vez. Na prática, isso significa que as cotas são negociadas no mercado por valores inferiores ao patrimônio líquido por cota, embora o indicador, isoladamente, não determine se um fundo está barato ou caro.
O ranking é liderado pelo RZAK11, com dividend yield de 16,81% e P/VP de 0,87 vez. O fundo distribuiu R$ 1,05 por cota em agosto, enquanto o resultado líquido do período ficou em R$ 8,12 milhões. A distribuição acima do resultado mensal reduziu parte da reserva acumulada, que ficou em R$ 0,15 por cota.
Na sequência aparece o MCRE11, com dividend yield de 16,75% e P/VP de 0,78 vez. O fundo registrou forte alta do resultado em agosto, para R$ 16,5 milhões, impulsionada principalmente pelo efeito caixa da inflação acumulada em dois ativos de crédito. Apesar do aumento do resultado, a distribuição permaneceu em R$ 0,10 por cota.
O EXES11 ocupa a terceira posição, com DY de 16,58% e P/VP de 0,97 vez. Entre os movimentos recentes, o fundo encerrou uma oferta pública secundária de aproximadamente R$ 56 milhões. Como a operação envolve cotas já existentes, não houve emissão de novas cotas para o fundo.
Já o RBHG11 apresenta dividend yield de 16,56% e P/VP de apenas 0,67 vez, o menor múltiplo patrimonial da lista. Em setembro, o fundo distribuiu R$ 0,78 por cota, enquanto seu valor patrimonial por cota estava acima do preço observado no mercado.
RBRY11, ALZC11 e ITIP11 completam lista
Com DY de 16,41% e P/VP de 0,81 vez, o RBRY11 também aparece entre os FIIs de papel com maior rendimento. Em agosto, o resultado distribuível chegou a R$ 1,18 por cota, mas a distribuição foi mantida em R$ 1,00, permitindo a formação de uma reserva de resultados.
O ALZC11, por sua vez, apresenta dividend yield de 16,35% e P/VP de 0,81 vez. O fundo concluiu recentemente uma quarta emissão de cotas que movimentou aproximadamente R$ 82,9 milhões. No período, distribuiu R$ 0,09 por cota, dentro da faixa de R$ 0,09 a R$ 0,10 indicada pela gestão.
Fechando o levantamento, o ITIP11 aparece com DY de 16,23% e P/VP de 0,83 vez. O fundo, porém, passa por um processo diferente dos demais: está em processo de dissolução e liquidação, com previsão de alienação dos ativos e posterior conversão em cotas do Inter Hedge FII (INHF11). Em agosto, distribuiu R$ 0,92 por cota.
Como a queda da Selic afeta os FIIs de papel?
Nos FIIs com maior exposição a CRIs indexados ao CDI, uma sequência de cortes da Selic tende a reduzir gradualmente a remuneração proporcionada pelo indexador. Isso acontece porque o CDI acompanha de perto a taxa básica de juros.
Guilherme Almeida, Head de Renda Fixa da Suno Research, explicou que esse movimento diminui o chamado “carrego” dos pós-fixados, embora tenha ponderado que os juros continuam em nível elevado.
“Se a gente olha para pós-fixado, o carrego vai ser menor. Mas, ainda assim, a gente está falando de um carrego interessante”, disse.
O cenário muda nos fundos com maior exposição ao IPCA. Nesses casos, a inflação também influencia diretamente a remuneração dos CRIs. Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, apontou na transmissão que ainda existem riscos inflacionários capazes de limitar a velocidade dos próximos cortes da Selic.
“Tem tanto risco no radar e tantas possíveis pressões para a inflação em que eu vejo que não há muita flexibilidade para o Banco Central cortar juros”, afirmou Sung.
Ainda vale a pena investir
Não existe uma resposta única baseada somente na mudança da Selic. Em análise anterior sobre o tema, Professor Marcos Baroni, Head de Fundos Imobiliários da Suno Research, já havia destacado que fundos indexados ao CDI possuem uma característica pós-fixada.
“Se ela [Selic] voltar a subir, ou voltar a cair, você terá um fundo que é pós-fixado, então não tem muito sentido eu responder se é melhor comprar agora, ou se é melhor esperar a taxa Selic cair”, explicou Baroni.
Além do indexador, outro ponto relevante é o risco de crédito. Almeida alertou que o período prolongado de juros elevados vem deteriorando métricas financeiras das empresas, o que reforça a importância da análise dos devedores.
Por isso, avaliar FIIs de papel exige olhar além do dividend yield. Diversificação da carteira, qualidade dos devedores, garantias, taxas contratadas e exposição a CDI ou IPCA ajudam a determinar o risco e o potencial de geração de renda de cada fundo.






