Após anos de disputas econômicas e tarifas elevadas entre as duas maiores potências do mundo, Estados Unidos e China finalmente deram um passo significativo rumo à reconciliação comercial. Autoridades dos dois países anunciaram neste domingo (11) um acordo inicial com foco na redução do déficit comercial norte-americano, que atualmente ultrapassa US$ 1,2 trilhão. As negociações ocorreram durante o fim de semana em Genebra, Suíça, e foram consideradas produtivas por ambas as partes.
Scott Bessent, atual secretário do Tesouro dos EUA, classificou as conversas como “promissoras” e afirmou que houve progresso substancial. Apesar de os detalhes finais do acordo ainda estarem sendo redigidos e com previsão de divulgação na segunda-feira (12), já se sabe que o principal foco é diminuir o desequilíbrio comercial entre os dois países — uma pauta sensível para Washington.
Jamieson Greer, representante comercial dos Estados Unidos que também participou das reuniões, informou que as medidas acordadas devem ter impacto direto na balança de bens dos EUA, que há anos registra déficit com os chineses. Ele também ressaltou que as tratativas avançaram rapidamente, o que demonstra que as diferenças entre os dois lados, embora relevantes, eram possíveis de superar com vontade política.
O encontro em Genebra marca a primeira vez que negociadores de alto nível das duas nações se reúnem pessoalmente desde que tarifas recíprocas acima de 100% foram impostas sobre dezenas de produtos, como aço, semicondutores, componentes eletrônicos e produtos agrícolas. Essas tarifas, implementadas principalmente durante o governo anterior de Donald Trump, iniciaram uma guerra comercial que prejudicou cadeias de suprimento globais e gerou incertezas nos mercados.
Bessent mencionou, em sua fala à imprensa, que as tarifas atualmente em vigor são excessivamente pesadas e que há um consenso sobre a necessidade de reduzi-las. Ainda assim, ele evitou confirmar quais produtos serão contemplados por essas reduções ou quando elas entrarão em vigor. As conversas devem continuar nas próximas semanas para definir os detalhes técnicos do acordo e os prazos de implementação.
O presidente Donald Trump, que foi informado diretamente sobre os avanços, demonstrou entusiasmo com os resultados preliminares e afirmou estar confiante de que este é o início de um novo capítulo nas relações econômicas entre os dois países. Segundo fontes da Casa Branca, Trump pretende usar o progresso nas negociações como exemplo de sua estratégia assertiva para reposicionar os EUA na economia global.
Pelo lado chinês, o vice-primeiro-ministro He Lifeng participou das conversas, acompanhado de dois vice-ministros de Comércio. Segundo analistas, o gesto sinaliza o interesse genuíno de Pequim em estabilizar as relações comerciais com os Estados Unidos, especialmente em um momento de desaceleração na economia chinesa e aumento da pressão interna por resultados econômicos consistentes.
Especialistas internacionais avaliam que o acordo, mesmo preliminar, pode gerar um efeito positivo nos mercados financeiros globais, além de aliviar a tensão geopolítica entre as duas potências. Caso se confirme a redução tarifária, setores industriais, agrícolas e tecnológicos podem se beneficiar significativamente, tanto nos EUA quanto na China.
Embora ainda haja cautela quanto à execução do acordo, o clima entre os representantes foi descrito como cooperativo, e novas rodadas de negociações já estão sendo planejadas para consolidar os compromissos assumidos.
*Com informações de CNN e Reuters.






