As ações da SpaceX operavam em queda nesta última quarta-feira (15). Nesse sentido, elas passaram a ser negociadas abaixo do preço da oferta pública inicial (IPO) pela primeira vez desde a estreia da companhia na bolsa, há pouco mais de um mês.
Por volta das 14h30 (horário de Brasília), os papéis recuavam 0,91%, cotados a US$ 134,84, após atingirem a mínima de US$ 134,34, abaixo dos US$ 135 fixados no IPO.
Desse modo, os investidores que compraram ações na abertura de capital passaram a registrar perdas pela primeira vez.
Ação se distancia das máximas pós-IPO
Além disso, o desempenho desta quarta-feira afasta ainda mais os papéis das máximas alcançadas logo após a estreia na bolsa.
Na ocasião, a forte valorização levou a SpaceX a atingir um valor de mercado superior a US$ 2,6 trilhões, ultrapassando temporariamente gigantes da tecnologia, como Microsoft e Amazon.
Agora, com o recuo das ações, o valor de mercado da companhia gira em torno de US$ 1,75 trilhão.
Investidores realizam lucros
Segundo Justus Parmar, presidente-executivo da Fortuna Investments e investidor da SpaceX, parte da pressão sobre os papéis decorre da realização de lucros por investidores que aproveitaram a forte valorização registrada após o IPO.
“Há um fator importante em jogo: muitas pessoas estão posicionadas na ação e parte delas, ou talvez um número significativo, quer realizar liquidez, o que está exercendo forte pressão sobre o papel”, afirmou.
O executivo acrescentou que esse movimento pode continuar ao longo dos próximos meses.
Mercado reavalia valuation da SpaceX
Ao mesmo tempo, investidores acompanham com cautela os elevados investimentos da companhia em inteligência artificial, financiados por meio de dívida, além da possibilidade de novas altas de juros pelo Federal Reserve, fatores que podem pressionar empresas de tecnologia com avaliações consideradas elevadas.
No mês passado, a SpaceX levantou US$ 25 bilhões no mercado de títulos para financiar projetos de infraestrutura tecnológica.
Segundo Daniela Hathorn, analista sênior de mercado da Capital.com, a queda das ações reflete uma combinação de realização de lucros, reavaliação do valuation e desmontagem de posições excessivamente otimistas após um dos IPOs mais aguardados dos últimos anos.
Além disso, analistas lembram que movimentos abaixo do preço de estreia são relativamente comuns após ofertas públicas iniciais, especialmente em períodos de maior volatilidade nos mercados.
Ainda assim, o recuo reforça questionamentos de parte dos investidores sobre a avaliação da companhia, que registrou prejuízo de US$ 4,9 bilhões no ano passado e ainda depende da execução de projetos de longo prazo para sustentar seu crescimento.
Mercado acompanha próximos catalisadores
Enquanto isso, as atenções se voltam para a divulgação do primeiro balanço trimestral da SpaceX como empresa de capital aberto, prevista para a primeira semana de agosto.
Posteriormente, termina a primeira fase do período de lock-up do IPO, permitindo que funcionários elegíveis e alguns acionistas antigos vendam parte de suas participações, movimento que pode aumentar a pressão sobre os papéis.
Além dos resultados financeiros, investidores acompanham o 13º voo de teste da Starship, considerado um marco importante para reduzir os custos de lançamento e impulsionar projetos estratégicos da empresa, como missões lunares e infraestrutura espacial para centros de dados.
Para Justus Parmar, no entanto, ainda é cedo para avaliar o desempenho da companhia após a abertura de capital.
“Estamos apenas cerca de 30 dias dentro desse experimento; ainda é muito cedo. O principal é que Elon conseguiu os US$ 85 bilhões de que precisava para levar a SpaceX ao próximo estágio de crescimento. Levará muitos anos para entendermos plenamente os resultados disso. Certamente não em apenas 30 dias de negociação das ações.”






