A Securities and Exchange Commission (SEC), órgão regulador do mercado de capitais dos Estados Unidos, acusou a Meyer Global Management e seu CEO, Owen E. H. Meyer, de supostamente fraudar investidores de varejo por meio de fundos privados que ofereciam exposição a ações de empresas pré-IPO, incluindo a SpaceX. A ação foi apresentada nesta última quarta-feira (30) em um tribunal federal de Nova York.
Segundo a SEC, a Meyer Global teria utilizado recursos de fundos administrados pela companhia de maneira indevida e fornecido informações enganosas aos investidores. A agência também afirma que ativos dos fundos teriam sido utilizados para despesas pessoais de Meyer.
Investidores buscavam acesso a empresas antes do IPO
O caso envolve um mercado que ganhou espaço entre investidores interessados em participar do crescimento de empresas privadas de tecnologia antes de uma eventual abertura de capital.
De acordo com a denúncia, fundos administrados pela Meyer Global tinham exposição a ações pré-IPO da SpaceX e de outras companhias privadas. A promessa de acesso antecipado a empresas de grande visibilidade tornou esse tipo de investimento particularmente atrativo para investidores de varejo que normalmente não conseguem adquirir esses ativos diretamente.
A SEC sustenta que a Meyer Global teria utilizado essa demanda para captar recursos enquanto não cumpria adequadamente seus deveres fiduciários com os investidores.
SEC aponta uso indevido de recursos
Entre as principais acusações está o suposto uso de ativos pertencentes aos fundos para financiar despesas pessoais de Meyer. A agência também afirma que o gestor teria permitido que problemas relacionados às obrigações de capital de um dos fundos permanecessem sem solução.
Segundo a denúncia, um fundo administrado pela Meyer Global deixou de cumprir uma chamada de capital relacionada a um investimento na SpaceX. Como consequência, o fundo teria perdido um investimento de quase US$ 3 milhões.
A SEC também acusa a companhia de não ter informado adequadamente os investidores sobre determinadas circunstâncias envolvendo os fundos e seus investimentos.
Regulador busca penalidades e recuperação de recursos
A ação apresentada pela SEC solicita medidas judiciais permanentes contra Meyer e a Meyer Global Management, além de penalidades civis e da recuperação de recursos considerados indevidamente obtidos.
A agência também busca o chamado disgorgement, mecanismo utilizado para exigir a devolução de ganhos obtidos de maneira considerada ilícita.
As acusações ainda serão analisadas no processo judicial. Portanto, as alegações apresentadas pela SEC não representam, por si só, uma condenação definitiva dos acusados. Um advogado da Meyer Global não respondeu imediatamente a um pedido de comentário da Reuters.
Caso ocorre em meio a maior atenção sobre fundos privados
A ação contra a Meyer Global ocorre em um momento de maior atenção das autoridades americanas sobre o acesso de investidores de varejo aos mercados privados.
A SEC anunciou recentemente propostas para ampliar as possibilidades de participação de investidores individuais em ativos privados, incluindo mudanças relacionadas a fundos de investimento e aos critérios utilizados para definir investidores credenciados. A discussão aumenta a importância das regras de transparência e proteção ao investidor nesse segmento.
O caso Meyer também reforça os riscos associados a investimentos pré-IPO, nos quais informações sobre avaliação, liquidez, estrutura societária e condições de saída podem ser mais limitadas do que no mercado de ações listado.
Para a SEC, a investigação busca responsabilizar os envolvidos por eventuais violações das regras de proteção aos investidores e pela suposta utilização inadequada dos recursos administrados pela gestora. O processo seguirá na Justiça federal de Nova York.






