A força dos serviços voltou a aparecer nos dados de julho divulgados nesta quinta pelo IBGE, com uma nova alta de 0,5%, na terceira alta consecutiva do setor, que está em um patamar 12,8% acima do pré-pandemia. Para economistas, esse movimento acontece por causa do mercado de trabalho aquecido, e indica que a atividade brasileira demorará mais que o esperado para perder ritmo no segundo semestre.
Além dos transportes, que continuam em alta por causa do bom momento do agronegócio e do boom do comércio eletrônico, os serviços prestados às famílias continuam em recuperação, com crescimento de 1% no mês retrasado.
– Os serviços vieram um pouco abaixo da nossa projeção no mês, mas a atividade segue firme. O dado de hoje representa o segundo ponto mais alto da série histórica. As aberturas da pesquisa também mostraram que os motores de serviços seguem firmes, com destaque para os serviços prestados às famílias – apontou o economista João Savignon, responsável por pesquisa macroeconômica da Kínitro Capital.
Segundo o IBGE, três de cinco atividades pesquisadas ficaram no campo positivo. Para o especialista, a tendência continua sendo de desaceleração gradual da atividade ao longo do segundo semestre, mas isso deve acontecer de forma mais lenta que a expectativa inicial.
– A tendência é de observarmos uma moderação ou mesmo relativa estabilidade dos serviços nos próximos meses, o que já é suficiente para garantir um bom crescimento no ano – diz Savignon.
É uma avaliação parecida com a do economista André Perfeito, que espera uma alta de 3% do PIB de 2023 – lembrando que os serviços respondem por 70% da economia brasileira.
– A alta de julho foi mais uma vez influenciada pelos serviços prestados às famílias – apontou. – Esse resultado deriva da melhora da renda real dos trabalhadores e em especial da massa salarial em patamar recorde.
Fonte: O Globo






