A maior operadora logística rodoviária do Brasil enfrenta um dos maiores desafios do setor de transportes: reduzir a emissão de gases de efeito estufa em um modal que, por natureza, depende quase inteiramente de combustíveis fósseis. No país, o transporte rodoviário concentra 93 % das emissões do setor, responsável por cerca de 110 a 120 milhões de toneladas de CO₂ por ano.
Apesar das dificuldades, JSL, empresa líder em logística e transportes, conseguiu reduzir em 24,5 % a intensidade de carbono nos últimos quatro anos — uma redução acumulada que já se aproxima e supera a meta estabelecida pela controladora SIMPAR para 2030.
A trajetória de descarbonização, segundo o gerente de sustentabilidade da companhia, Gustavo Brito, é resultado de uma estratégia focada não em uma única tecnologia, mas na eficiência operacional. “Reduzir consumo de combustível, diminuir o número de viagens e otimizar o uso da frota traz impacto direto nas emissões”, afirmou Brito em entrevista.
Estratégias que fazem diferença
Entre as principais medidas adotadas pela JSL:
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Frota mais nova: A idade média dos veículos da companhia é de apenas 3,5 anos — bem abaixo da média do setor, acima de 13 anos — o que naturalmente reduz o consumo de combustível e emissões associadas.
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Telemetria e gestão de uso: Sensores inteligentes monitoram o comportamento dos motoristas em tempo real, evitando acelerações e freadas desnecessárias, elevando a eficiência do consumo de diesel.
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Caminhões maiores e mais carregados: A adoção de veículos como o hexatrem, com 52 metros de comprimento e capacidade de até 250 toneladas por viagem, diminui o número total de viagens necessárias — reduzindo o impacto total.
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Biometano e combustíveis alternativos: Em operações no Rio de Janeiro, caminhões movidos a biometano já estão em uso, enquanto veículos a gás e elétricos são testados em operações urbanas.
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Tecnologias de redução de poluentes: Veículos com padrão europeu de emissões (Euro 6) e sistemas de filtragem avançados têm sido empregados para reduzir óxidos de nitrogênio e material particulado.
Limites e desafios
Especialistas da empresa reconhecem que o principal obstáculo ainda é estrutural: o transporte pesado no Brasil continua dependente de diesel, e alternativas com baixo carbono ainda enfrentam custos elevados, infraestrutura limitada e disponibilidade insuficiente de abastecimento em larga escala.
“A transição para um transporte mais limpo depende não só da vontade da empresa, mas também de políticas públicas, incentivos e parcerias que dividam os custos com clientes e fornecedores”, afirmou Brito.
Sustentabilidade vira vantagem competitiva
Para a JSL, a redução de emissões não é apenas uma obrigação ambiental, mas também uma demanda crescente dos clientes. Os ganhos de eficiência operacional que diminuem CO₂ frequentemente reduzem custos logísticos, tornando as operações mais competitivas.
Enquanto o setor de transportes no Brasil aguarda políticas mais robustas de descarbonização — como a regulamentação do mercado de carbono em discussão no Congresso —, as iniciativas da empresa mostram que progressos importantes podem ocorrer mesmo antes de uma mudança estrutural completa na matriz energética do país.






