Na última quarta-feira (20), o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil decidiu, de forma unânime, reduzir mais uma vez a Selic, taxa de juros básica da economia, em 0,50 ponto percentual, resultando na queda da taxa de 11,25% para 10,75% ao ano.
No comunicado divulgado pelo Copom, o comitê indicou que planeja implementar apenas mais um corte de 0,5 ponto na próxima reunião em maio. Este fator sugere a probabilidade de que o órgão irá interromper o ciclo de reduções a partir de junho, uma vez que nos comunicados anteriores, o Comitê afirmava que continuaria com os cortes “nas próximas reuniões”.
O Copom ressaltou que essa abordagem é adequada para sustentar a política monetária contracionista necessária para o processo de desinflação e avaliou que tanto o cenário doméstico quanto o internacional estão mais sujeitos a incertezas, o que demanda cautela na condução da política monetária, destacando que os bancos centrais das principais economias estão comprometidos em promover a convergência das taxas de inflação para suas metas, em meio a pressões nos mercados de trabalho.
O documento informou que o cenário para a inflação permanece estável, com riscos tanto de alta quanto de baixa. Em caso de elevação na inflação, foi citado a continuidade das pressões inflacionárias globais e o crescimento do setor de serviços como uma possível contribuição. Por outro lado, uma redução pode ser impulsionada pela desaceleração da economia global em uma magnitude maior do que a prevista e aumentos das taxas de juros em outros países podem surtir um efeito superior ao esperado.
O órgão também divulgou que suas projeções de inflação no cenário-base são de 3,5% para o ano de 2024 e de 3,2% para 2025. Quanto às projeções para a inflação de preços administrados, estão estimadas em 4,4% para 2024 e 3,9% para 2025.
Esta foi a sexta diminuição consecutiva na taxa Selic, que agora atinge o nível mais baixo desde fevereiro de 2022, quando também estava em 10,75% ao ano. Em agosto de 2023, a taxa básica de juros estava em 13,75%, número que estava congelado há um ano até o início deste ciclo de cortes.
Para os investidores, a Selic é utilizada como ponto de referência para o rendimento de investimentos financeiros de renda fixa. Com a taxa atual, se um investidor aplicar R$ 1 mil no Tesouro Selic, o rendimento esperado após 12 meses seria cerca de R$ 105,50. Já no Prefixado, seria de R$ 110,70 e no IPCA+, R$ 94,16. CRI, CRA e Debêntures Incentivadas renderiam R$ 109,71, enquanto os outros tipos de Debêntures rendem o maior número, R$ 132,97. LCI e LCA entregam um retorno de R$ 101,05 e LC rende R$ 118,25, mesmo valor que o CDB de Banco Grande. Já o CDB de Banco Médio retorna 107,50, enquanto a Poupança tem um rendimento de R$ 107,50. Esse cálculo é feito levando em conta os juros atuais como uma taxa constante ao longo do período.
Ranking mundial
Mesmo com a queda da Selic, o Brasil continua entre os países com as taxas de juros reais mais altas. De acordo com dados do portal MoneYou, após essa redução, os juros reais situam-se em 5,90% ao ano, ficando atrás apenas do México, que lidera o ranking com 7,46%. A Rússia ocupa o terceiro lugar, com juros reais de 5,87%, seguida pela Colômbia com 5,85% e a Turquia com 5,65%. Os Estados Unidos, que também divulgou dados da taxa básica de juros nesta semana, aparece em 9º lugar no ranking.
Quando colocado em termos nominais, o Brasil fica na sexta posição, atrás da Argentina, com 80%, Turquia (45%), Rússia (16%), Colômbia (12,75%) e México (11,25%). Segundo o MoneYou, a tendência global de aperto monetário enfraqueceu, e a postura predominante entre os bancos centrais é de manter as taxas inalteradas. Em dados recentes, 87,5% dos 40 países avaliados optaram por manter as taxas, enquanto 5% aumentaram e 7,5% reduziram.






