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Início ESG

Microsoft fecha compra recorde de créditos de carbono com BTG

Redação por Redação
23 de junho de 2024
em ESG
Microsoft fecha compra recorde de créditos de carbono com BTG
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Em um dos maiores negócios de remoção de carbono já fechados globalmente, a Microsoft anunciou a compra de 8 milhões de créditos do Timberland Investment Group (TIG), braço de gestão de investimentos florestais do BTG Pactual.

Inicialmente os créditos serão gerados em projetos no Cerrado, com o plantio de espécies nativas para a restauração e também exóticas, que serão exploradas comercialmente. O contrato vai até 2043, um prazo estendido, pois a restauração leva tempo.

Esta é a terceira compra de grande volume que a gigante do software, segunda maior empresa do mundo em valor de mercado, faz na região. No fim de 2023, a Mombak fechou uma venda de até 1,5 milhão de créditos para a empresa. No mês passado, foi a vez da Re.green, com um contrato de 3 milhões.

Os valores das transações não foram revelados. Cada crédito de remoção corresponde a uma tonelada de carbono retirada da atmosfera, neste caso com o crescimento das árvores.

O negócio é o primeiro anunciado pelo TIG, que mira a recuperação de pastagens degradadas no Brasil e em outros países da América Latina.

Vender para a Microsoft, uma companhia com políticas estritas em relação aos créditos usados nas compensações de carbono, é estratégico, disse ao Reset Mark Wishnie, diretor de sustentabilidade e responsável pela estratégia de reflorestamento do TIG.

“Acreditamos que a empresa está estabelecendo um alto padrão no mercado em termos de qualidade e integridade.”

As negociações, disse, começaram assim que o plano de investir em reflorestamento foi anunciado, há pouco mais de três anos.

Ativos florestais

Subsidiária do BTG, o TIG é um dos maiores gestores de investimentos florestais do mundo, com US$ 7,1 bilhões de ativos sob gestão, controlando uma área de 1,2 milhão de hectares nos Estados Unidos e na América Latina.

A meta da empresa é restaurar 270 mil hectares nas próximas décadas, sempre combinando silvicultura com a criação e manutenção de um estoque de carbono natural. Essas são as fontes de receita do negócio. Por enquanto, a restauração teve início em 2,6 mil hectares.

Os projetos são divididos em dois: em uma metade são plantadas espécies nativas do bioma; na outra são criadas fazendas para comercialização de madeira. A empresa quer vender madeira certificada pelo Forest Stewardship Council (FSC), o principal selo de sustentabilidade do setor.

Ambas atividades geram créditos de carbono, mas em uma proporção diferente. A restauração deve responder por 60% desses ativos naturais, e o restante virá das áreas em que haverá corte da madeira.

O TIG não revela a área necessária para originar os 8 milhões de créditos negociados com a Microsoft, mas Wishnie diz que ela deve ser “relativamente pequena” em relação ao total que a empresa pretende recuperar.

A Re.green, que vai entregar 3 milhões de créditos, espera produzi-los em 16 mil hectares.

Por enquanto, o foco do TIG, que conta com apoio da ONG norte-americana Conservation International, deve estar no Cerradão, tipo de vegetação presente no bioma cujas árvores podem chegar a 15 metros de altura.  

Experimentos

O TIG desenvolve um projeto de pesquisa com a Universidade Federal de Viçosa (MG) para avaliar as diferentes metodologias de restauração do bioma.

Em 81 hectares, foram testados processos de regeneração natural, em que não há qualquer ação humana; regeneração natural assistida, em que o ecossistema recebe uma “ajuda” para se recuperar; e a semeadura direta, plantando sementes de espécies diversas na terra, um método chamado de “muvuca”.

A preferência é pela regeneração natural, mais eficaz na restauração da estrutura florestal, da biodiversidade e da biomassa, segundo o executivo.

Mas, além de mais lenta, a ação da natureza depende do estado do solo. “Em alguns lugares, o solo está muito degradado e as coisas não crescem se não dermos ajuda, se não trouxermos mudas, cuidarmos delas e as deixarmos crescer.”

20 anos de carbono

Como o contrato com a Microsoft prevê uma geração de créditos ao longo de duas décadas, a cauda de restauração e reflorestamento também precisa ser longa.

Os primeiros créditos serão gerados nas fazendas florestais, com o plantio de eucalipto que será explorado comercialmente, diz Wishnie.

“No Brasil e na América Latina, as árvores [de eucalipto] crescem muito rápido em comparação com o resto do mundo. Então, esperamos poder começar a gerar as compensações cerca de três anos após o início do plantio.”

À medida que as áreas plantadas com espécies nativas vão se recuperando, um processo que leva mais de uma década, o investimento da restauração começa a se pagar. Isso porque a vegetação é preservada, atinge seu pico e mantém o estoque de carbono estável no decorrer das décadas. 

Já a floresta comercial é cortada diversas vezes, o que resulta em um estoque de carbono oscilante ao longo do tempo. “O estoque é grande nos primeiros oito ou nove anos, e depois não mais”, afirma Wishnie. 

O executivo afirma que o plantio do eucalipto está sendo feito em rotação longa, com períodos de 12 a 16 anos até o corte – o dobro do padrão no setor de celulose no Brasil, que varia entre seis a sete anos.

“Podemos usar o tronco maior para fazer outros produtos e, em particular, para fazer produtos de madeira maciça”, afirma Wishnie. A intenção é que essa madeira seja usada na produção de móveis, portas e pisos.

Metas agressivas

A maior parte das emissões de gases de efeito estufa da Microsoft está associada à eletricidade usada pelos servidores e pelos sistemas de refrigeração de seus enormes data centers.

A explosão da inteligência artificial, baseada em chips que consomem ainda mais energia que os convencionais, também ajuda a explicar a movimentação da empresa no mercado voluntário.

No ano passado, as emissões totais da Microsoft aumentaram 29% em relação a 2020, em grande parte por causa da construção de mais data centers.  

A companhia criada por Bill Gates e Paul Allen pretende remover mais carbono da atmosfera do que emite até 2030, ou seja, ser negativa em carbono. Passo seguinte, com prazo de 2050, é remover da atmosfera todo carbono emitido desde sua fundação, em 1975.

Para isso, a companhia vai usar créditos gerados pelas chamadas soluções climáticas baseadas na natureza – como o plantio de árvores no Brasil – e também os obtidos com tecnologias ainda em desenvolvimento que sugam o CO2 do ar que respiramos.

“Os avanços da Microsoft rumo ao objetivo de emissões negativas necessitam de projetos inovadores que podem escalar rapidamente e de forma sustentável a remoção de carbono”, disse Brian Marrs, diretor sênior de energia e remoção de carbono da Microsoft, em nota.

Fonte: Reset

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